natalia

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Velhos hábitos e pequenas obsessões


Não tive grandes amores, mas pequenas obsessões. E ao longo dessas muito mal sucedidas incursões sentimentais, eu acabei instaurando um certo padrão.
Antes de tudo, você precisa entender que o ponto de partida desse círculo é estar muito triste ou muito puta - ou ambos - porque alguém não me quis. Esse é o meu estado normal.
Anormal é o oposto. Estar feliz com a minha vida afetiva é a exceção das exceções. E uma vez que você compreende o marco zero, fica mais fácil acompanhar minha patética jornada rumo ao mesmo lugar.
Porque lá estou eu, triste ou puta - ou ambos -, completamente instatisfeita com a conjuntura do Universo, me achando a pessoa mais mal-afortunada que existe, quando surge alguém novo.
Em um primeiro momento, minha reação é descartar a possibilidade, encontrando todos os defeitos possíveis, listando todas razões que tornam aquele sujeito uma péssima ideia. E entenda que essa atitude em nada tem a ver com o rapaz em questão. É que faz parte desse meu padrão ter sérias dificuldades em aceitar mudanças e sair da inércia. E ao encontrar problemas na pessoa nova, eu automaticamente enalteço aquela que não me quis, permanecendo assim no meu estado normal de tristeza ou emputecimento - ou ambos.
Mas, tá. Digamos que o cara novo reuna em si um conjunto de atributos que me faça sair da inércia e me empurre para a etapa seguinte. Então nós saímos, conversamos, nos pegamos freneticamente e eu passo o tempo todo me perguntando o que caralhos estou fazendo ali.
Só que o cara novo me surpreende de alguma forma e eu consigo avançar para o estágio seguinte, onde o outro já não ocupa mais tanto espaço no meu fluxo de pensamentos. Eu já não me preocupo em saber com quem ele está ou o que anda fazendo. Não é mais dele que eu me lembro, distraída, no meio da tarde. E é aí que começa a transição de uma obsessão para outra.
No início ela se dá bem devagar, como se a conexão estivesse lenta. E quando eu menos espero algo muda na rede e tudo acelera. Foda-se o cara que não me quis. Ele foi um idiota. Ocorre uma inversão de papéis e o sujeito enaltecido agora é o cara novo. Ele sim é foda. Completamente diferente, não tem nem comparação. Esse tem muito mais a ver comigo, penso.
O cara novo vira O cara. E tudo parece estar ótimo.
...
Até não estar mais.
Pouco a pouco, as coisas começam a desandar. E o cara novo, que tinha virado O cara, agora passa a ser o cara que faz tudo errado. Já não me surpreende de nenhuma forma - e quando o faz, é sempre de maneira negativa. Tipo, surpresa(!), tem um brinco na gaveta dele! E não é meu!
Nesse momento ocorre outra inversão, bem mais irônica que a anterior. Porque quem volta a ser enaltecido é o cara do começo, o que não me quis, o que tinha virado um idiota.
Nesse ponto do círculo vicioso, eu revejo toda a trajetória e percebo que aquele cara nem tinha sido tão idiota assim. Ele nunca faria comigo o que o cara novo está fazendo. Ele me entendia melhor. Completamente diferente, não tem nem comparação.
E aí eu volto a ficar triste ou puta - ou ambos. Mais uma pequena obsessão pro meu álbum de figurinhas repetidas. Mais uma voltinha frustrante pelo círculo, em tempo recorde.
Mas velhos hábitos não morrem fácil. E estando de volta ao marco zero, só me resta esperar. Mais alguns meses de pequenas obsessões e logo logo chega mais um cara novo.


OLD HABITS DIE HARD, David Stewart.

22 comentários:

  1. se isso consola, you're not alone hehahahahahahahah

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  2. mas lembre-se q ngm está condenado aos velhos hábitos

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  3. abençoado seja o universo... não estou sozinha!

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  4. afff, nao sei se é bom ou ruim sentir amparada por outras psicóticas soltas pelo mundo hahahahaha... q porra de doença é esta???? sério acho q estou me tornando uma psicótica nem tão adoravel assim rsrsrsrsrsrsrsr Beijus... adoro os textos!! Camila Pinto - Poa/RS

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  5. Putz, pensei que eu fosse a única. Vc me fez me sentir melhor. rs
    E mesmo assim, nunca consegui divagar sobre, de um forma tão entendível.

    Vc me inspira, psicótica. = )

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  6. Ai, sou eu no textooooo!!! Ahahaahah

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  7. É, o ruim de sermos exclusivas é q homem nenhum é bom o suficiente pra gente!

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  8. rs!ai, ai os problemas dos outros são os nossos problemas...nada novo tdo em um círculo vicioso... Muito bom!
    bjs!

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  9. Por isso que prefiro me viciar em ladrilhos....eles nunca me decepcionam....

    Vi suas fotos em um blog vintage e de lá parei aqui, e daqui te dou o parabéns. Adorei!

    Qdo tiver num tédio virtual, visite meu flickr....sou fazedora de imagens: http://www.flickr.com/photos/imagensempiricas/

    bjssssssssss

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  10. hahaha uma amiga me passou esse blog e acabei lendo esse post.
    guess what?
    acontece com os homens tbm :)

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  11. Fernanda Castelões19 de maio de 2010 02:00

    Essa doença maldita que assombra a nós, psicóticas, haveria de ter cura???

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  12. Se eu tivesse a capacidade de organizar inteligentemente meus pensamentos e de escrever de maneira também inteligente o resultado da reflexão da minha vida amorosa, sairia um texto exatamente igual a esse.

    Minha amiga me indicou esse texto, dizendo que quando ela leu, tinha me visualizado. Agora entendi o motivo.

    Vou continuar lendo as outras postagens. :)

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  13. Eu sou “um cara antigo”...
    E é estranho observar do ângulo oposto...
    Mas as mulheres se defendem de quem mais as temem...
    Não há nada que nos assuste mais...que sermos ignorados...não considerados ... esquecidos... nos tornarmos apenas mais um...
    Perder um amor por opção é aceitável...
    Desde que esta opção seja a nossa...
    É difícil lidar com as escolhas dos outros...
    Ou melhor quando não somos a escolha..
    Clichê da humanidade independentemente de se ser o cara ou a garota em questão..
    Tentamos...verdadeiramente... mas nunca por completo...temos medo...as defesas femininas nos assustam...como nos entregar sem confiar completamente...ai acabamos superficiais e por nos tornar mais um cara novo...que ainda pensa na garota antiga....

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  14. MInha amiga Camila Rufine, ali em cima. rs, me indicou este texto por me visualisar nele também.

    Adorei, lerei os outros post.

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  15. o anônimo ali... mandou bem.

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  16. Não me sinto mais estranha.
    sou psicótica e obsessiva e não estou só.

    esse anônimo aí só pode ser mulher. Homem acha que mulher é chiclete, mastiga mastiga, quando tá sem açúcas, sem novidade, ele cospe.

    adoro o blog =)

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  17. OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO Rayanne...
    O anônimo ali sou eu...
    E eu sou homem e hétero...
    viu só... e fica acusando os homens de terem este preconceito do chiclete.
    Prefiro ver as mulheres como um cacto no deserto...
    Algumas possuem mais...outras menos...mas todas tem espinhos para afastar pessoas indesejadas...
    Algumas sabem baixar estes espinhos e algumas raras sabem a hora certa de baixa-los...
    Mas só os cactos tem flores em meio a um deserto...e nada como uma bela flor em uma vida que se fez deserta... e como retém água...podem salvar uma vida...
    Mas quem sabe...eu esteja errado...
    Mas eu espero que não...

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  18. Mais um post excelente!
    E o pior é que eu faço tudo isso sem nem me dar conta.
    E resta a dúvida, será que algum dia algum deles vai ser mesmo O cara? E será que a gente vai acertar o timing? Heuheu

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  19. Somos todas iguais? Você escreve muito bem, consegue sair dos pensamentos enevoados e organiza todos eles em palavras.

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  20. e agora que sabemos, basta quebrar o círculo. quebrar o padrão. mudar o paradigma. como alguém disse uma vez, é no mínimo inútil fazer a mesma coisa e esperar um resultado diferente. basta fazer diferente. como diferente? ué, diferente diferente.

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