natalia

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

"Hang on to your ego"


Estava conversando com um amigo novo. Não que eu acredite em novas amizades, muito menos em amizades entre homens e mulheres. Mas eu estava conversando. Com um cara.
A questão é que ele possui algumas semelhanças assustadoras comigo - especialmente no que concerne às inseguranças e paranoias. Não que eu me importe em ouvir as lamúrias alheias. Na verdade, eu adoro. Faz eu me sentir menos miserável e mais parte de uma comunidade global do eterno sofrimento humano.
De toda forma, lá estava eu, ouvindo meu novo amigo heterossexual e atraente falar sobre como ele é inseguro e sobre sua visão deturpada de si mesmo. E enquanto ele descrevia seus medos de ser desinteressante, enfadonho e mal apessoado, eu não pude deixar de pensar em como toda aquela loucura derivava de um ego enorme.
E justamente por me identificar com todo aquele drama, a associação de ideias foi inevitável. Eu era como ele. E por trás das minhas inseguranças e do meu complexo de inferioridade, escondia-se um narcisismo exacerbado e uma enorme capacidade de passar horas pensando em mim mesma.
Sim, porque uma pessoa deliberar sobre seus próprios defeitos e incapacidades não deixa de ser uma forma torta de passar uma boa quantidade de tempo circulando pelo seu próprio umbigo. E eu sou essa pessoa.
A vantagem é que, pouco a pouco, eu vou me curando das minhas insanidades. A desvantagem é que um dia desses eu vou ter alta e vocês bem vão sentir minha falta.
Não vão?

MÚSICA enviada por outro cara. Não exatamente um amigo, nem exatamente novo, mas com excelente gosto musical.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Mensagem de fim de ano


Não ando com muita vontade de escrever aqui. Não por falta de ideias, nem muito menos por falta de inspiração - acreditem, às vezes eu me sinto vivendo numa matrix da minha própria série. Tipo na véspera de Natal, quando competi com uma mulher por táxis em uma rua deserta. Ou quando acidentalmente flertei com um funcionário gatinho do Consulado Americano.
Mesmo com temas frequentes implorando para serem transformados em textos, eu não me sinto mais motivada. Talvez porque a motivação em si para a existência deste blog tenha sido posta em xeque.
Há quatro anos, uma série de urgências me levou a criar este espaço. Eu estava há tempos sem escrever e havia acabado de sair de um trabalho mecânico de produção para trabalhar como redatora de humor. Mais do que nunca, eu precisava de um lugar seguro, onde pudesse cultivar minha individualidade como escritora. Acima disso, eu precisava descobrir que tipo de escritora eu queria ser.
E, ao longo desses quatro anos, eu abri minhas entranhas pra vocês. Confessei meus medos, descrevi as humilhações mais terríveis, compartilhei meus sonhos, minhas decepções, minhas esperanças. E sempre considerei essa minha parte na troca.
Mas, ao que parece, na Era da interatividade, não é suficiente que eu faça uso da minha vocação para dialogar com o público. Não, não. Eu também preciso mostrar que sou legal, sou bacana, sou da galera. Para provar que eu me importo com os leitores, eu preciso atender às demandas de cada um deles, preciso ser compreensiva com suas carências, preciso me mostrar agradecida. Na verdade, pelo que acompanho em alguns comentários, agradecer e interagir com os internautas é mais do que respeito, é minha obrigação. Afinal, sem eles, eu não seria nada.
E aí a coisa toda começa a degringolar. Porque eu sinto muito, mas não devo absolutamente nada a ninguém. Eu ofereço minha alma, minhas vísceras, o que eu tenho de melhor e de pior. E recebo de volta reforço positivo, experiências de outras pessoas, mensagens afetuosas, outras nem tanto. A troca é essa e, de uma forma ou de outra, todos saem ganhando. Exceto os caras de quem eu falo mal, esses não devem gostar muito de se verem retratados. Mas aí também ninguém mandou partir o coração de uma escritora.
De todo modo, gostaria de deixar uma coisa bem clara. Este blog não é uma obrigação. Nunca foi, nem nunca deverá ser. Ele é o meu espaço, meu cantinho seguro de criação, e quem quiser embarcar na viagem será muitíssimo bem-vindo. Mas se eu me sentir coagida aqui dentro, como ando me sentindo ultimamente, não vou hesitar em parar.
Aos que compreendem o que eu disse, um beijo enorme. Aos que permanecerem insatisfeitos, não se exaltem. A porta da rua é a serventia da casa.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Da série: diálogos psicóticos


"Já faz quase três anos", ele disse, num tom simpático. "Não é possível que você ainda tenha raiva de mim!"
"Bom...", tentei contra-argumentar, "não é que eu não goste de você... mas odiar é uma palavra forte, você não acha?"
"Como assim, eu não falei odiar."
Prossegui, sem prestar muita atenção no que ele dizia: "Ninguém aqui tá falando de nojo. Eu não sinto ânsia de vômito toda vez que alguém menciona seu nome numa conversa de bar."
"Quê?"
"Não é que eu olhe pra você e queira socar essa sua cara estranha e desproporcional até ela ficar ainda mais estranha e desproporcional, se é que isso é possível. Quer dizer, eu disse em algum momento que sentia vontade de cuspir em cima de você, com catarro e tudo? Calma aí, né?! Vamos ser sensatos. Não é como se eu desejasse que seu corpo entrasse em algum tipo de combustão interna e você explodisse e começasse a pegar fogo do nada. E depois você ficasse correndo de um lado pro outro, em chamas, urrando de dor, feito um demente dos infernos, que de fato você é. Seu demente dos infernos."
Ele ficou mudo.
Eu sorri e dei dois tapinhas em seu ombro, como quem diz "desejo tudo de melhor pra sua vida". Vocês sabem, não sou de guardar rancor.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A afetividade torta


Acho que o maior problema dos relacionamentos contemporâneos é da ordem gastronômica. Da forma como eu vejo - e talvez esteja influenciada pela fome da madrugada - as pessoas são como grandes tortas de sabores variados. Algumas a gente bate o olho e já sabe que vai gostar, às vezes só pelo cheiro. Outras vezes, a gente segue a intuição e só depois descobre que é alérgico a nozes, ou pior, que a torta em questão curte sertanejo universitário.
Mas, ao contrário do que você possa estar pensando, o problema dos relacionamentos contemporâneos não reside no fato de que somos tortas gigantes. Tortas são bonitas e gostosas, na grande maioria das vezes - exceto nas festas de aniversário em escritórios no centro da cidade. A tristeza da coisa está na constatação de que estamos vivendo uma espécie de comidaaquilorização da afetividade. Isso significa que, devido a alta oferta de tortas no mercado, ninguém consegue se focar em apenas um sabor.
O que temos hoje é uma porção de tortas sendo vorazmente garfadas e deixadas de lado, aos pedaços, disformes, tristes. Todo mundo quer um pedacinho de torta, uma fatiazinha fina do tipo "estou-de-dieta-não-quero-muito". Tem sempre alguém querendo dar uma mordiscada, uma lambidinha, uma passadinha de dedo marota. O que ninguém quer - ou tem coragem de fazer - é arriscar e levar a torta inteira para casa.
E essa é a grande lástima da nossa geração. Estamos acostumados a tirar lasquinhas de várias sobremesas e levar à balança do restaurante para pesar. É a insustentável leveza da torta mousse de chocolate e do cheesecake de framboesa. Estamos acostumados a ter muitas, muitas opções de comida. E de pessoas. Conheço gente que tem mais de 1.000 amigos no Facebook. Como se alguém fosse fisicamente capaz de ter mil amigos.
E qual é o resultado disso? Tortas garfadas e destroçadas, sem lugar cativo na geladeira de ninguém, vagando por aí, pelas noitadas, pelas festas, tristes, tortas. E, pouco a pouco, elas vão perdendo a doçura. Vão se tornando descrentes, azedas, estragadas pelo ataque dos garfos despretensiosos.
Somos tortas. Claro que somos comidas. Mas o que eu queria mesmo era experimentar a sensação de ser a preferida de alguém. Aquela que é levada dentro do pacote - o pacote completo, com todos os defeitos e qualidades, com todas as garfadas sofridas, com tudo aquilo que faz de mim a torta gigante que eu sou. Estou farta de me pedirem pedacinhos. Quero ser levada por inteiro.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sobre o alho poró


Entrei no supermercado decidida a comprar legumes e verduras. "Alho poró", concluí. "Nunca comprei alho poró, vou comprar alho poró", refletia, orgulhosa, enquanto me dirigia à seção de hortifruti, onde tudo é mais verde que uma mala cheia de dólares.
Chegando lá, me deparei com um empecilho. Não conseguia encontrar o alho poró em meio a tanta variedade de artigos monocromáticos. Foi quando pedi ajuda a um dos funcionários do supermercado.
"Por favor, você saberia me informar se tem alho poró?", perguntei, excessivamente formal, como devem ser as pessoas que se alimentam de alho poró.
"Ali", ele respondeu, com o que seria o oposto da minha postura. Creio que ele chegou a assoar o nariz, logo após enunciar algo que variava entre uma localização geográfica e um nome muçulmano.
"Onde exatamente?", tornei a perguntar.
"Bem ali".
Eu virei para olhar o que deveria ser bem ali, mas não consegui identificar o objeto da minha busca. Foi quando o funcionário perguntou, num tom quase debochado:
"A senhora sabe o que é um alho poró?".
Que insulto. Especialmente pela forma como ele falou a palavra "sabe". Uma ênfase que pontuava a minha total ignorância em relação a um assunto que eu me esforçava tanto para aparentar ter domínio.
claro que eu sei o que é um alho poró", retruquei, dando a mesma intensidade à palavra "claro" que ele havia dado a "sabe". E prossegui: "Eu já vi várias vezes um alho poró... picado no meu prato... num restaurante", disse, segurando o artigo em uma das minhas mãos.
"Ah, é?", questionou o funcionário. "Então por que você tá segurando um rabanete?"
Fiquei muda por alguns instantes.
"Porque foi isso que eu vim comprar", concluí, dirigindo-me ao caixa.
Nesse dia eu não comprei alho poró.

domingo, 23 de outubro de 2011

Boletim da Psicótica


Aos que pediram, fiquem sossegados. Muitíssimo em breve, teremos textos novos aqui no blog. Várias situações malucas têm acontecido, o que não me falta é material.

Enquanto isso, queria aproveitar o espaço (afinal, como diria a Dra. Frida, "meu espaço, seu espaço") para divulgar umas cositas importantes.

Estou concorrendo a dois prêmios super bacanas e a votação é totalmente aberta ao público.

O primeiro é o Prêmio Monet, que elege os melhores programas da tevê por assinatura. Adorável Psicose está concorrendo como melhor humorístico!

Para votar no Prêmio Monet 2011, clique aqui.

O segundo também é bacanérrimo. É o Prêmio Extra, que elege os melhores do ano na tevê aberta. Nesse, estou concorrendo na categoria "Melhor Revelação Feminina", pela personagem Nikita do programa Macho Man.

Para votar no Prêmio Extra 2011, clique aqui.

Por fim, mas não menos bacana, vou postar a entrevista que dei há algumas semanas no Programa do Jô. Pra quem não viu e pra quem quer rever a prova da minha infância constrangedora sendo exibida em rede nacional:

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Psycho Channel - parte 5

Últimos episódios da segunda temporada. Esses e todos os outros
estão disponíveis no canal do Zingo no You Tube:

Episódio 14 - "O Zingo"


Episódio 15 - "A Vaga"


Episódio 16 - "A Sitcom"

 
Designed by Thiago Gripp
Developed by Márcia Quintella
Photo by Biju Caldeira