natalia

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Para escrever como uma verdadeira psicótica


Fiquei mais de uma semana sem atualizar. E olha que não foi por falta de tempo. Juro que tentei postar alguma coisa aqui, mais de uma vez. Achava tudo uma porcaria e desistia no terceiro parágrafo.
O motivo dessa escassez criativa se deve a um paradigma que me acompanha desde os primórdios da minha vida afetiva adulta, ainda pela pós-adolescência, pouco antes de eu começar a investir em lingerie cara.
É que eu escrevo muito melhor quando estou com raiva de alguém. E quando eu digo alguém, eu quero dizer um cara. E por cara, entenda sujeito-com-quem-estou-saindo-e-não-está-sendo-muito-bacana-comigo.
É impressionante como eu fico produtiva quando minha vida afetiva está uma merda. Quanto mais decepcionada, triste e destruída eu fico, mais legais os textos saem. É como se eu pegasse tudo o que me incomoda, toda aquela massa amorfa de desilusões amorosas, colocasse numa fábrica de massinha e transformasse em estrelinhas, golfinhos e macarrões multicoloridos. Pode ser divertido pra quem vê, mas não necessariamente corresponde ao meu estado de espírito.
E a recíproca é verdadeira. Quanto mais feliz eu estou, menos interessantes meus textos ficam. Pelo menos pra mim.
Demorei oito dias para escrever essa embromação descarada que vocês estão lendo agora. Desculpem-me por isso. Prometo melhorar.
O único problema é que, para escrever bem, eu vou ter que começar a procurar problema onde não tem. Vou ter que vestir a carapuça psicótica e super analisar cada detalhe de cada conversa, de cada ligação, mensagem ou e-mail trocado. Vou precisar me ater a entrelinhas imaginárias, adivinhar o que está por trás de todos os pequenos silêncios, criar histórias mirabolantes para justificar questões que provavelmente nunca nem existiram fora da minha cabeça maluca.
Para escrever como uma verdadeira psicótica, tenho que assumir desde já que nada vai dar certo, nunca. Que todos estão sempre mentindo e que é só uma questão de tempo (pouco tempo) até tudo dar errado.
É por isso que eu vou pedir desculpas novamente. Sinto muito, caros leitores, mas acho que dessa vez vou preferir escrever mal.

24 comentários:

  1. realmente, escrever mal, é bem melhor do que ser infeliz.
    adoro teus textos, e alias, amei esse!

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  2. hihihihi... to viciada no seu blog... fiquei frustrada essa semana que vc empacou....
    Meu egoísmo quase me faz querer te arrumar problemas pra vc escrever mais...rsrsrs
    Seus textos são ótimos, e esse aí de cima contradiz o que vc diz!
    Beijos!
    Cris

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  3. Acho que quando a gente tá feliz a felicidade nos preenche de uma forma que nos completa, que nos deixa clamos e tranquilos, sem necessidade de expressão.
    Prefiro que vc escreva mal e que seja muito feliz!
    Beijos

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  4. Sofro do mesmo mal, eu passo às vezes metade do ano sem escrever ou desenhar porcaria nenhuma. Deveria ser um bom motivo de alegria, pois significa que estou indo bem, minha vida está pacata, mas aí vem a merda, ADORO escrever, só que preciso ter uma boa raiva para produzir alguma coisa, daí compro uma briga, um conflito. Vou ao Habib's para constatar o quanto o atendimento ainda é péssimo, converso com uma criatura amarga qualquer, enfim... sem sangue fervido não tem produção... que coisa mais masoquista... Mas ainda assim, olha, uma boa dica, você não precisa ficar com ódio de ninguém, fique meia horinha num trânsito engarrafado ou vá ao Habib's... depois escreva e volte a ser feliz, rs.

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  5. Ahhh Nat! Não sei se você ainda não percebeu, mas você tá apaixonada! :)

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  6. Vixi!!! Criatividade em crise. O meu blog tá parado também. Capaz de no meu proximo post eu fazer uma referência ao seu...
    Mas tomara qua a crise aumente, seu textos piorem e vc aproveite bastante isso!!!

    [...]

    Que declaração! Juro que não sou o st(ing)alker!

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  7. Adoro o que escreve! Já que os homens tão tão assim, pq não experimentar uma mulher? É interessante...

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  8. Isadora, Cristina e Cris S.S., obrigada!
    Mariana, vou experimentar essa sua técnica para desenvolvimento de raiva sintética. Depois digo se funcionou pra mim.
    Tiago, eu sei que não é você. Eu sou uma psicótica onisciente.
    Anônimo #1, bem... eu não falo com estranhos! ;-D

    Beijos!

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    1. "Anônimo #1, bem... eu não falo com estranhos! ;-D" Adorei kkkkkkkkkkkk

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    2. kkkkkkkkkkkkkk foi ótima essa.

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  9. Mentira, Natalia! Você fala DEMAIS com estranhos.
    Você até usa celular de taxista......

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  10. Noossa! Eu sempre passava por essas crises quando tinha um blog, ai eu comecei a ficar menos inspirada a cada dia.. foi ai que eu comecei a fazer textos sobre o que acontece ao meu redor.. e dai surgiu a paixao por jornalismo. Comecei agora a facul e posso dizer que voce tem muuuuitas fãs por la! Adoramos os seus textos! Parabens!

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  11. ih, psicótica apaixonou-se. ficou super feliz por você !

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  12. ...filha, é normal, gente como a gente - psi - tem que passar longe dos remédios que digerem a vida e do divã do analista...escreve!!!

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  13. hahaha, amei teu post, mas teus comentários tb merecem destaque....hehehe. tb sou assim, travo qdo minha vida emocional tá tranquila... nada como viver em turbilhão, bjus
    Mixbraun

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  14. Verdade. Minha vida sentimental é tão imaginária e inexistente quanto minha última namorada. Resultado: tenho mais de 20 posts prontos para serem publicados no meu blog. Aliás o blogger é o melhor terapeuta depois de Freud!

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  15. Same'O, same'O...

    E só para constar ri sozinho com minha leitura incorreta de uma comentadora anterior, que confundi com Chevrolet e me levou a divagações que não convém comentar... hehehehehehe... =)

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