natalia

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

(Not) Feeling Good


Eu já venho prometendo isso há um certo tempo. Mas sério mesmo. Quero ser uma pessoa melhor.
Não que até hoje eu tenha sido uma pessoa ruim. Quer dizer, eu acho que não. Espero que não. Ai, não me olha assim. Eu só não dei minha quentinha pro mendigo aquele dia porque eu não tinha comido quase nada e era camarão. Poxa, camarão é caro. E eu não tinha nada pra comer em casa. Eu sei, o mendigo também não. Até porque ele não tem casa. Ha.
Mas e aquele outro dia, que o velhinho veio me vender oito balinhas por um real? Hein, hein? Eu comprei, tá! E a única razão de eu ter discutido no meio da rua foi porque ele só me deu sete. Sacanagem, o acordo era oito. Quer ser honesto, vamo ser honesto.
Mas eu queria. Ser uma pessoa melhor.
O problema é que isso implica numa mudança no seu padrão. É como fazer dieta. Você sabe que vai ficar bem melhor com três quilinhos a menos, mas aí o garçom te pergunta se você quer sobremesa e lá se vai sua meta.
Saí do analista decidida a mudar. A partir daquele momento, passaria a me estressar menos e a dosar mais minhas reações. Até descobrir pelo Twitter que uma menina havia criado um blog homônimo ao meu.
Lembro de ver pelo celular uma resposta desaforada da mocinha e subir a minha rua ansiosa para rebater. Cheguei em casa e corri para o computador. Mas no instante seguinte, logo após enviar as mensagens, senti o oposto do que esperava. Não fiquei aliviada, muito pelo contrário. Me veio um sentimento ruim, uma sensação de que eu tinha agido como uma idiota.
Meu analista me disse (meu analista me diz muitas coisas, às vezes eu tenho a impressão de que ele fala mais do que eu) que para uma estratégia dar certo, é preciso pensar na tática. Ele usou alguns exemplos de futebol, mas eu tenho um incrível dom de abstrair qualquer informação relativa a esse assunto.
Brigar com a mocinha pelo Twitter foi um erro tático. Foi um baita retrocesso na minha estratégia de me tornar uma pessoa melhor.
Porque ser uma pessoa melhor requer disciplina. É tipo ir pra academia. Faltou um dia, faltou dois, já era. Vai ter que começar do zero.
Hoje é meu dia zero.


FEELING GOOD - Nina Simone

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Alienista Caçador de Mutantes

Gostaria de convidá-los para o lançamento do meu primeiro livro "O Alienista Caçador de Mutantes". É um mashup de Machado de Assis com ficção científica e humor. Faz parte da coleção Clássicos Fantásticos, da editora Leya.

Vou adorar vê-los por lá!

Por razões pessoais, meu co-autor não poderá estar presente.


Lançamento em SP

Meus colegas autores, Angélica Lopes (Senhora, a bruxa) e Lucio Manfredi (Dom Casmurro e os discos voadores):



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Fim das gravações


Acabaram as gravações de "Adorável Psicose". Foram só cinco episódios, mas haja trabalho!

Agora é torcer para que tudo dê certo e esse seja só o começo!

Algumas curiosidades engraçadas:

- Um ator que fez uma pequena participação veio comentar comigo, na maior inocência, "nossa, eu li os roteiros, essa personagem é uma doente, né?"
Eu engoli seco e ele continuou. "É uma louca, doente. Doente!", repetia.
Coitado, ninguém tinha avisado pra ele que grande parte dos roteiros era baseada em histórias reais. Mas imagina a minha cara, sorrisão amarelo, concordando com tudo. "Pois é, essa personagem é uma doente mesmo."
E depois eu ria sozinha, pensando "ha, personagem..."

- Também tive algumas crises de riso com a seguinte cena:

JONAS SE APROXIMA DE NATALIA COM AS MÃOS ESPALMADAS.

NATALIA - Opa, pera aí! Vamos repassar as regras. Sete segundos e só pode pegar em um peito.

JONAS - Ok. Qual é o maior?

NATALIA - Do que você tá falando, meu filho? Meus peitos são perfeitamente simétricos.

JONAS A ENCARA, DESCRENTE.

NATALIA - Tá, o esquerdo. Vai.

ELE PEGA.


A cena em que o rapaz pega no meu peito era basicamente a mais esperada por toda a equipe e, por coincidência, foi a última cena gravada.
Depois das cenas de beijo, pensei que essa seria moleza. Ledo engano. Quando escrevi o roteiro, imaginei o cara simplesmente colocando a mão sobre um dos peitos da, digamos, "personagem". Nunca imaginei o que estaria por vir.
Porque meu colega de cena não se limitou a pegar em um dos peitos. Não, não. Ele começou encaixando a mão por baixo, levantando o material e, por fim, apalpando o conteúdo em toda sua plenitude. Ou seja, o efeito é quase o mesmo de um sutiã de bojo: caprichado na sustentação.

Depois eu volto com mais curiosidades.

Um beijão e saudades de postar aqui!

domingo, 19 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

Quando você ri...


Acho engraçadíssimas essas convenções do mundo virtual. Quando você está conversando com alguém pela internet, existem vários acordos velados, que vão desde uma carinha sorrindo até o tipo de risada que você dá.
Eu, por exemplo, sou adepta da boa e velha "hahaha". Não curto aquelas variações estranhas, como a "huahuahua" ou a mongolóide caindo da escada "eshuaeshua". A "kkk" me assusta muito, por razões óbvias, a "rsrsrs" se torna absurda quando você tenta visualizar alguém rindo assim e a "hihihi" só pode ser aceita se você estiver conversando com uma gueixa.
Mas mesmo a "hahaha" pode surgir em diferentes versões. Na minha humilde opinião, se você está de papo com o seu peguete e resolve soltar um comentário engraçadinho, o mínimo que ele pode fazer é escrever três "has". Se ele responder "haha" é porque não achou a menor graça e nem se deu ao trabalho de fingir. Responder "hehehe" também não vale. A risada "hehehe" só cabe em momentos safadinhos. Fora isso ela é sinônimo de riso constrangido. Ou seja, "não achei graça e não sei o que dizer".
Aprendam: três "has" é o limite entre o "não achei graça" e o "não achei graça mas vou fazer um esforço". Se o cara realmente riu do que você falou, ele vai escrever quatro ou mais "has". "Hahahaha", "hahahahaha", mas não mais do que isso. Senão ele é maluco e você deve cortar relações o mais rápido possível.
De todo jeito, é bom deixar claro que a regra dos "has" tem suas exceções. Conversando por webcam, já pude constatar casos de esquizofrenia aguda em que o sujeito digitava vários "has" e não esboçava sequer uma intenção riso. Eu olhava para a conversa e lia "hahahahahaha". Olhava pra imagem da câmera e via a personificação do tédio absoluto.
Ha.





WHEN YOU SMILE, Louis Prima.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Rapidinhas da Psicótica


Então. Dei meu primeiro beijo cênico ontem.

Cheguei à conclusão de que beijar em cena é tipo comer frango. Pode até ser bom, mas no fim das contas é só frango.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O Segredo da Victoria


Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que mulher odeia mulher.
Não me venham dizer que "aahh, não é bem assim", "eu amo as minhas amigas", "morra, sua antifeminista dos infernos". Tirando a sua avó e a sua mãe - e, em alguns casos, incluindo as duas -, parta do pressuposto de que todas as mulheres te odeiam. Porque se elas não te odeiam agora, elas já te odiaram ou certamente irão te odiar um dia.
Isso ocorre devido a um treinamento que dura gerações, e que foi incutido no nosso subconsciente. Fomos ensinadas - senão por nossas mães, pelo cinema, pela literatura e pela televisão - que as mulheres são invejosas, que elas vão roubar nossos homens, que elas são falsas, duas caras, vão falar mal de todas nós pelas costas. As mulheres são condicionadas, desde muito cedo, a desconfiar das outras mulheres, a se separar em grupinhos na escola, a excluir e incluir de acordo com seus interesses e necessidades.
Mulher é um ser do mal.
É por isso que eu suspeito muito desses movimentos feministas. Aposto que no dia em que as mulheres resolveram fazer aquele protesto e saíram por aí queimando sutiãs, do outro lado da cidade, uma tal de Victoria fazia um desfile secreto de lingerie. E daí surgiu a marca.
 
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