natalia
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Solitude


Escrevo por vocês, não por mim. Ando cansada demais e sem paciência para falar da minha vida. O que é bastante irônico, já que andei trabalhando feito louca numa série autobiográfica.
É que escrever me faz lembrar de algo que vem me incomodando muito nesses últimos meses: o fato de que estamos, inevitavelmente, sozinhos no mundo. Não importa se temos ótimos amigos, mães e pais espetaculares. No fim das contas, somos apenas nós. Tomando decisões e tendo que lidar com as consequências delas, sozinhos.
Não posso negar que estou um pouquinho influenciada pelo fato de uma das minhas amigas mais próximas estar toda namorandinha com um cara novo. Fico feliz por ela, claro. Ela merece alguém legal. Mas é que toda vez que essa minha amiga começa a sair com alguém, eu automaticamente deixo de existir na vida dela. Mentira. Eu continuo existindo para ouvir as novidades e dar algumas opiniões que quase nunca são ouvidas. Tirando isso, sou cortada fora da agenda.
Minha mãe sempre me disse que as amizades são circunstanciais. Minha mãe é apocalíptica e adora ver o pior lado das pessoas, por isso nunca levei esse conselho em consideração. Mas numa coisa ela está certa. Minha rede de amizades flui de acordo com uma variante invariável: quem está solteiro.
Na verdade, também entram nesse grupo os amigos com relacionamento em crise. Esses costumam ter uma agenda bem mais disponível que os amigos emocionalmente felizes. Aliás, eu vou falar uma coisa. Nada mais chato do que um amigo emocionalmente feliz. Quer dizer, tudo bem estar feliz, que bom, que bom mesmo. Mas custa ter um porém? Um entretanto? Tipo "tô saindo com um cara incrível, maravilhoso, extraordinário, pena que ele é manco e caolho". Custa?
Uma pessoa emocionalmente bem resolvida potencializa todos os seus complexos e as suas inseguranças. Só serve pra você se dar conta do quão patética e vazia é a sua própria vida. E como você realmente está sozinho. Apesar dos seus amigos ótimos. E dos seus pais super válidos. E do seu gato de estimação que te faz companhia - exceto se ele estiver desaparecido há dois anos, de maneira misteriosa, e até hoje você tiver sonhos estranhos em que ele volta de um mestrado em Nova Iorque.
Em vista disso tudo, eu só digo uma coisa: acostume-se com a sua cara. Você vai passar muito tempo sozinho com ela.
(Se o desespero bater, procure o cirurgião plástico mais próximo.)





Solitude - Billie Holiday
 
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