natalia

sábado, 24 de julho de 2010

Tudo o que você precisa saber sobre Moby Dick


Não sei o que acontece comigo, mas quando sou colocada (ou me sinto) em uma situação de teste - como primeiros encontros e entrevistas de emprego -, tendo a desenvolver uma espécie de amnésia seletiva que desencadeia uma terrível falta de habilidade de me expressar.
Uma vez estava em uma entrevista de emprego importante e me perguntaram se eu gostava de ler. Eu disse que sim, claro, óbvio, como não? A mulher sentada à minha fente não pareceu se impressionar com a minha resposta, e sorriu como quem pensa "até parece que você diria outra coisa." Depois perguntou qual fora o último livro que eu tinha lido.
Engoli no seco.
Não é que eu não leia livros. Eu leio livros. Vários livros.
Mas naquele momento, era como se uma câmera se aproximasse rapidamente até o meu rosto e eu pensasse "ai meu deus, eu nunca li nenhum livro na minha vida."
E comecei a me desesperar, dando um google no meu cérebro, percorrendo todos os cantos obscuros da memória até chegar a um título, o único que brilhava em neon no meio da minha massa cinzenta.
"Moby Dick", respondi, enfim.
O que seria ótimo, não fosse pelo fato de eu nunca ter lido Moby Dick.
"Ah, é maravilhoso", ela respondeu, agora sim abrindo aquele sorrisão, impressionada com a magnificência do meu intelecto.
"É um clássico, né", afirmei, segura daquela verdade inquestionável.
"É uma história linda", ela continuou.
Ok, vamos lá. Google mental: Moby Dick. Eu sei que Moby Dick é o nome de uma baleia. Uma baleia branca, o que torna "Free Willy" praticamente uma resposta das minorias oprimidas. Mas, enfim, isso não vem ao caso agora. Eu lembro de um pirata, um marujo, um lobo do mar; e ele tenta caçar Moby Dick. Ele tenta caçar Moby Dick até o fim da sua vida. É isso!
"Ele tenta caçar Moby Dick até o fim da sua vida", eu disse, emocionada.
E tudo acabaria aí, não fosse pela minha petulância.
"Todos nós temos as nossas baleias brancas pra caçar, não é mesmo?", insisti, testemunhando o sorriso da mulher se transformar em algo nebuloso. Foi só então que me dei conta de que ela era bem gorda. E branca.
"Quer dizer, é uma metáfora", tentei, em vão, consertar, ao que ela riscava algo em sua agenda. "Você riscou meu nome?"
"Não", ela respondeu, expressiva como uma parede. Uma grande parede. Branca.
Mas poderia ter sido pior. Eu poderia ter dito qualquer um do Paulo Coelho.

22 comentários:

  1. você poderia ter dito "Saga Crepúsculo".

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  2. Está ótimo. Humor aguçado novamente.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Adorei!
    Já esqueci em entrevista de emprego o nome da linha de produto que eu mesma havia criado. Tem como ser pior?

    Beijos :o)

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  5. Eu rii muito, Quando fico nervosa tb cometo essas garfes!

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  6. Simplesmente fantásticooo!!!
    ushuahsuahs

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  7. Eu leio o seu blog desde a postagem do cinema sábado a tarde sozinha, me identifiquei muito. Não só porque vou ao cinema sozinha no sábado a tarde mas porque sou totalmente paranóica.
    Mas uma paranóica adorável,rs.
    Ri muito desse último post, gafes assim são precisas nas horas em que não precisamos delas.

    beijos

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  8. Na dúvida minta! Sempre! ahahahah

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  9. kkkkkkkkkkk...me divirto demais aqui!!!

    http://thaismourashoes.blogspot.com

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  10. esta situação é um clássico!
    na minha vez eu disse:pocket books.e aresposta foi considerada genial para meu espanto &gáudio

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  11. Isso acontece comigo também. Eu sempre fico nervosa em momentos de confronto. :)

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  12. Cara, eu ADORO seu blog!!!!!!!!! Esse comentário é totalmente LOSER, mas lendo seu blog me sinto menos sozinha!!!!! Eu sou igual a você!!! Bom, isso é ruim se você gostar de se sentir única, mas em alguns momentos é bom se sentir quase normal!!!!

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  13. Já me deu esse branco num censo que fizeram onde eu trabalho. Me perguntaram se eu lia livros ("sim"); quantos livros eu tinha lido aquele ano (branco 1 - "aaah, uns 50") - cara de espanto do homem - ("eu gosto de ler", risadinha); qual o último que eu tinha lido (branco 2 eteeerno). Custei a lembrar o nome de um misero livro... Triste.

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  14. O final foi perfeito: qualquer um do Paulo Coelho seria pior e não teria Google mental pra te salvar.

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  15. "Pobre" (...rs*) Paulo Coelho!
    Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!
    E a Saga Crepúsculo a salvaria?!?
    Definitivamente, me divirto muito lendo teu blog!
    Aqui, como li em um de seus comentários, sinto-me muito acolhida em minhas eventuais crises psicóticas.

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  16. uhauhauhahauauhauhhuaauh
    eu vi esse capitulo!!!
    muito bom!
    adorei saber que uma das minhas series prediletas é baseada em fatos reais!
    bjos

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  17. eu vi esse episódio ! foi holário, ri mto !
    A serie da multishow foi uma das melhores !
    Só nova por aqui, mais começei a ler e ñ paro mais! Me identifico mto com vc Natalia...

    bjs e e bom fim de semana !

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  18. Fiquei com vontade de saber mais sobre o resto da história.:]

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  19. lixoooooo horrivel buuuuuuu !!!!!!!

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