natalia

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Da Série:

Episódio de hoje: "Quem mexeu na minha mão?"

Então você está no aniversário da Suellen, a gordinha animada da faculdade que está sempre meio bêbada e ri de tudo, mesmo quando o assunto é sério. Talvez porque ela nunca esteja prestando muita atenção no que você diz. E aí ela vira mais um copo e faz um quatro com as pernas. É a sua deixa pra dar uma volta.
Nesse momento você vê o cara. Sujeito boa pinta, camisa dos Ramones, óculos super modernosos. Razoavelmente alto. Se ele mandar um papo aceitável, já era. Acordo selado. Não há nada de muito melhor do outro lado da festa, você pensa, enquanto escuta algo que se assemelha à risada da Suellen. Mas, sei lá, pode ser o liquidificador. Não, espera, é a Suellen mesmo. Ela está agarrando alguém. A Suellen está sempre agarrando alguém, deus sabe como.
Uhhh, ele sorri pra você, o bonitinho da camisa dos Ramones. Você sorri de volta, tímida, e vai até a cozinha pegar gelo pra sua vodka. Ele te segue. Você sorri novamente, agora um sorriso safado, porque sabe o que te espera. Sua safada!
Blá, blá, blá, mesma ladainha de sempre, De onde você conhece a Suellen?/ Eu não conheço a Suellen./ Ah, não?/ Não, eu entrei de penetra, e assim vai, até que ele pega na sua mão.
Ah, não. Não, não, não! Quem foi que te deu o direito de pegar na minha mão, hein, bonitinho da camisa dos Ramones?, você pensa, enquanto tenta deslizar sua mão para fora daquela situação.
Porque o panorama é o seguinte: você tá ali, de papo com o cara, dando mole, toda bonitinha... Quer dizer, ele podendo chegar junto, te dar um beijão, te agarrar, te apalpar... E o veadinho pega na sua mão?! Tá de sacanagem, né? Ou melhor, NÃO tá de sacanagem!
Eu, como adorável psicótica que sou, penso que poucas coisas requerem tanta intimidade como pegar na mão. Posso liberar a entrada do meu clube privê no primeiro encontro, mas na minha mãozinha ninguém vai sair bolinando não! Ora, tá pensando o quê? Que a vida é fácil? Se aprume, querido!
Posso contar nos dedos da mão esquerda do Lula a quantidade de vezes que saí por aí dando a minha. Minha mão. Porque mão a gente não pode dar assim fácil não, meu povo. Mão é uma coisa muito íntima, muito sua. E sua mesmo! Não tem nada pior do que ter que aguentar a mão suada de alguém que você não gosta. O cara sai com você uma ou duas vezes e acha que tem o direito de andar pelas ruas de mãos dadas? Não, senhor! Bora tirando essa mãozinha boba daí! Eu sei lá por onde você andou com esses dedos! Higiene, meu filho, higiene!
Mas fora as questões sanitárias, há também uma forte questão afetiva. Porque quando o bonitinho da camisa dos Ramones toca na sua mão, ele é apenas um estranho fingindo que tem intimidade suficiente para te fazer carinho. E você é esperta demais pra acreditar nessa farsa, ainda que seja uma farsa construtiva. Tipo quando você tinha cinco anos e os seus pais te disseram que seu gatinho de estimação Pitt foi para uma fazenda cheia de animais, onde todos seriam felizes.
Pegar na mão de alguém é uma falsa promessa de telefonemas, de um cineminha com jantar, de uma mensagem inesperada pro celular no meio da tarde. E a verdade não é essa. A verdade é que, no final das contas, ele é só um estranho tocando a sua mão. É tão desconfortável quanto um sujeito com cecê que vem sentar ao seu lado no ônibus e você dá aquela chegadinha pra lá estratégica.
Não me leve a mal, bonitinho da camisa dos Ramones. Não sou pudica. Mas também não sou hipócrita. Se o objetivo for levar a garota pra cama, não perca seu tempo pegando na mão dela. Vá direto ao ponto. De preferência o G. E vê se não erra!

11 comentários:

  1. Rapaz de capa de chuva em dia de sol19 de dezembro de 2008 02:25

    Você não está considerando o potencial erótico das mãos. Nos difíceis tempos de contaminações inesperadas e reproduções acidentais, um belo par de mãos, sob ou sobre as minhas, com destinos decididos ou por decidirem... Er... QuEr dIzeR... liCenÇa... Ah, bom blog (use as mãos sempre a serviço do bem! Ou Não!)

    ResponderExcluir
  2. Direto 05:50 da manha! Maneirão, foco no objetivo, ao ponto (X)! vou colocar essa na cartilha!

    ResponderExcluir
  3. Você não está considerando o potencial exótico das mãos. Nos difíceis tempos de inseminações inesperadas (pense em um anão pulando em você na fila do mercado) e reproduções ocidentais (pense em um anão pulando em você na fila do McDonald's), um belo par de mãos, sob ou sobre as minhas, com destinos decididos ou por decidirem... er... quer dizer... apenas pense em um anão.

    ResponderExcluir
  4. Rapaz de capa aberta, na chuva.26 de dezembro de 2008 22:08

    Ah, não... Anão, não! Você não está manipulando o memorial hipnótico dos sãos. Nos difíceis tempos de publicações exacerbadas (pense num blog psicótico) e aliterações orientais (pense nos olhos semi-cerrados da blogueira), um belo par mãos, perto ou longe das minhas, com destinos sucumbidos ou por se incumbirem... er... Por que esse nome?!!!

    ResponderExcluir
  5. afinal as mãos...http://br.youtube.com/watch?v=3BhsnXDn-jk
    podem ser hipnóticas quando brancas e pálidas. Com belas unhas vermelhas.

    ResponderExcluir
  6. Tenho uma teoria de que o sujeito "namoradinho" é um futuro corno quando realiza três ações básicas (em sequencia, claro): 1) tenta sair de mãos dadas; 2) dá beijo no olho e 3) arruma um apelido mimoso.

    ResponderExcluir
  7. É verdade depois da genital a parte mais íntima do corpo são as mãos, afinal com o que é que você limpa as partes íntimas é com as mãos, então tocar nas mãos é tocar em algo que já passou diversas vezes por regiões do seu corpo que ninguém mais teve acesso a não ser você e sua mãos, as mãos vãos em locais do nosso corpo os quais os olhos nem por um momento sonham em vislumbrar, então concordo plenamente com a elevação da categoria sexual das mãos.

    ResponderExcluir
  8. A Fernanda Torres disse uma vez, num desses episódios de qualquer série de humor da Globo, que nao me recordo o nome(antes de Os Normais):

    "Pegar na mao entao, só depois de muito sexo"

    E esse é meu lema PRA VIDA, já tem alguns bons anos.

    ResponderExcluir
  9. Achei engraçada a história da mão ., mas confesso que pegar na mão, num é nada legal. Pior é quando pegam e cismam de dar um beijo pra ser educado .Affx , sai pra lá né .

    ResponderExcluir
  10. Pior ainda é pegar na mão em vez de pegar na bunda...te enche de esperanças; faz você achar que aquele é o cara só porque ele pegou na sua mão (e ainda deu beijos) e ai ele some, como todos os outros... Homens, se for para sumirem depois, peguem na bunda logo e não fiquem com essa besteira de pegar em mão...

    ResponderExcluir
  11. bom, pegar na mão pode ser importantíssimo... dá pra ver se o cara tem uma mão forte, com "pegada". ou se tem aquela mão mole, sabe, geralmente fria e suada que parece uma perereca... ugh... dá pra ver se tem eczema, verruga, unheiro, aquela camada de substância orgânica preta não identificada debaixo das unhas ou, ao contrário, se o sujeito é "manicurado". tudo isso pode ser determinante na hora de decidir se você vai deixar o cara dono daquela mão eventualmente TOCAR em você... portanto, não despreze o potencial de uma segurada na mão, ainda que furtiva...

    ResponderExcluir

 
Designed by Thiago Gripp
Developed by Márcia Quintella
Photo by Biju Caldeira