natalia

terça-feira, 25 de maio de 2010

Editor's block


Já tem algum tempo que me sinto empacada. "Bloqueio de escritor", alguém diagnosticou. "Graças a deus", respondi, "estava com medo da Patricia Travassos aparecer na minha casa e me mandar tomar Activia."
Tudo começou há seis semanas, quando fui chamada para escrever um livro. Nunca escrevi um na vida, então o editor me pediu para mandar o primeiro capítulo. Entreguei meia dúzia de páginas suadas e recebi de volta um amontoado de observações, parágrafos circulados e sugestões - malditas sugestões. Odiei cada uma delas como se odeia as peguetes novas do seu ex. Porcaria de sinônimos, quem eles pensam que são para substituir as palavras que eu escolhi?
Mas o problema nem era com os traços, as setas, os círculos e toda aquela geometria em que meu texto havia se transformado. O que me paralisou de verdade foi a sensação de impotência, como se cada palavra que eu tivesse escolhido, cada vírgula, cada ponto me sussurrasse: "quem você pensa que é?"
Quem eu penso que sou, é a primeira coisa que me passa pela cabeça quando acordo. Quem eu penso que sou, enquanto me visto para ir trabalhar, no ônibus, no barzinho. Quem caralhos eu penso que sou, ao me ver refletida no espelho do elevador, voltando para casa. Então eu adormeço com esse mantra, torcendo para que no dia seguinte eu acorde me sentindo milagrosamente melhor.
Eu disse que tudo começou há algumas semanas, mas é mentira. Tudo sempre foi assim. O que houve com o livro foi só a gota d'água e agora eu me sinto tão paralisada que mal consigo terminar este texto. Há poucas horas eu o tinha inteiro na minha cabeça, nítido, quase palpável. Mas diante de uma tela em branco eu me senti incapaz de iniciar uma frase. Escreve alguma coisa, qualquer coisa, repetia para mim mesma, em silêncio. Faça algo, se mexa. Mas quem eu penso que sou, não é mesmo?
Foi aí que eu me dei conta do real motivo da minha inércia. O culpado pela minha completa falta de entusiasmo é realmente meu editor, o mais poderoso tirano que já conheci na vida - eu mesma.
E minha área de atuação é bastante vasta. Além de ser o maior carrasco dos meus textos, eu também sou editora de comportamento, de moda, de cultura, de sentimentos. Edito absolutamente tudo na minha vida. É por isso que eu não consigo escrever. Fico tão ocupada me perguntando quem eu penso que sou, que não sobra tempo para ser coisa alguma.
Estou sempre tão obcecada pela perfeição - em mim, no meu trabalho, nos meus relacionamentos - que a vida se torna inatingível. E é muito mais fácil editar e excluir o imperfeito do que aceitar que as coisas nem sempre - ou quase nunca - acontecem como se havia imaginado.
Então eu olho para aquelas páginas do primeiro capítulo e é impossível não me enxergar ali, toda retalhada, corrigida, trocada por sinônimos. Eu sou o primeiro capítulo de uma história que nunca se desenvolve porque eu mesma não permito. Fico com tanto medo de errar, de não agradar, de acabar me decepcionando, que sequer saio do lugar.
Quem você pensa que é para escrever um livro? Quem você pensa que é para alguém gostar de você? Quem você pensa que é para as coisas darem certo? - Sei lá! Quem você pensa que é, voz estúpida na minha cabeça? Se você fosse tão boa, estaria dublando algum filme na Sessão da Tarde. Mas não, você está aqui dentro de mim. Então cala essa boca e me deixa em paz!
Vou dormir e continuo torcendo para que amanhã eu acorde me sentindo melhor. Mesmo que isso signifique que eu tenha que deixar de lado minhas habilidades editoriais e ser apenas aquela que escreve, sem amarras, sem medo. Talvez assim o bloqueio passe e minha história finalmente aconteça.


ELEANOR PUT YOUR BOOTS ON, Franz Ferdinand.

34 comentários:

  1. Pois é, querida. Hoje me identifiquei com você como nunca!
    Imagine só que eu estou produzindo um livro com dois amigos.
    Eles já fizeram um, de humor, crônicas de humor, há dois anos.
    Ano passado recebi o convite de incorporar o projeto e neste ano estamos produzindo. PROBLEMA 1: eu e um dos parceiros desenhariamos também. Eu nunca tive lá tanta habilidade no desenho, mas topei a parada. PROBLEMA 2: quando finalmente abriram o campo para os 3 escreverem, e não somente o experiente mor, simplesmente disseram: NÓS ADORAMOS O SEU HUMOR, MAS ELE TEM UMA SUTILEZA QUE TALVEZ NÃO SE ENCAIXE NESSE LIVRO. PRECISAMOS QUE VOCÊ ESCREVA TALVEZ DE UM MODO MAIS PASTELÃO. Pronto, cagou minha vida, desmoronou meu império, lascou toda a capacidade cognitiva que eu achei que tinha.

    Demorei séculos (eu disse demorei?) ESTOU DEMORANDO séculos para conseguir concluir cada etapa desse projeto, porque, EU NÃO SOU PASTELONA!! Eu sou chata, introspectiva, ácida e mega crítica! Mas não desisti não, depois de tanta censura disfarçada, tou me adaptando a essa nova linha (pelo menos eu acho, vamos ver qdo o livro sair), como qualquer bom torturado da ditadura, rsrsrs.

    Mas eu adoro os meninos. Tomara que venham outros livros depois =D

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  2. Caralhos!

    Dessa vez vc não foi psicótica Natália, foi poeta! rs

    "Estou sempre tão obcecada pela perfeição - em mim, no meu trabalho, nos meus relacionamentos - que a vida se torna inatingível. E é muito mais fácil editar e excluir o imperfeito do que aceitar que as coisas nem sempre - ou quase nunca - acontecem como se havia imaginado."

    Muito bom!

    E vc ainda precisa buscar a perfeição é? Fica de olho, de repente a graça de tudo está na maldita imperfeição das coisas que, nem sempre ou quase nunca, acontecem como havíamos imaginado!

    Boa sorte no livro!

    Bjo!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Esse bloqueio não poderia existir, afirmo. É foda. Pior que se dar mal na vida é não conseguir, de forma alguma, escrever sobre. O medo é uma coisa que dá e passa, só não passa pra quem não o deixa ir embora, e isso sim é preocupante. As coisas precisam ser feitas primeiramente para nosso agrado, não importando o quão certas ou erradas são. Os outros gostarem? É consequência; a única coisa que não gosto é esse puto bloqueio. hahahahaha

    marcostrauss.blogspot.com/

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Perfeito! Faço minhas as suas angústias! Me "li" no seu post e acho que vc tá longe de ser psicótica. Antes, me parece sensível e até didática ao expor em palavras claras e bem encadeadas tudo que sempre senti. Eu e muitas outras pessoas que, por não acreditarem em si mesmas, deixam de se lançar nos desafios e oportunidades que a vida lhes dá. Muito bom e interessante de ler.
    Você me daria imenso prazer se passasse lá no meu blog pra tomar um chocolate comigo.
    Beijos.

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  7. Muito bom. Ou melhor: foda. Ou como dizem no sul: fudido (que nunca entendi, pois ser fudido é bom?). A meada, o pique, o foco. O perfeccionismo na posição das palavras. Tudo isso junto faz com que eu não consiga resistir a ler seus posts, sempre que aparecem no meu reader. Parabéns, Natália.

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  8. Não tem um livro??
    Quem vc pensa que é pra pensar que não pode "TER UM LIVRO"??
    Sabe a máxima "A sua vida passa enquanto vc faz planos pra ela?", então... Seus lindos textos são psicoticamente bem escritos enquanto vc fica fazendo planos pra sua vida!
    Publica esse blog, menina! Seu livro tá pronto!
    E PÁRA DE EDITAR! As melhores coisas da vida vem com rabiscos, linhas tortas e reticências..

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  9. Gostei muito desse seu post.. pois já me vi muitas vezes na mesma situação...me questionando quem penso que sou para que as coisas deem certo na minha vida...eu querendo o tempo inteiro controlar tudo para que fique tudo perfeito da maneira que eu gostaria que fosse...solução pra isso: tenho não. rs

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  10. sim, dificil é negóciar com o editor q nós mesmos somos. Eu sei bem disso.
    Acredite mais em vc, mas não faço com que isso tire seu bom humor, sua ironia e seu sarcasmo, por favor!

    bj

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  11. as sessões de análise estão dando certo hein, daqui a pouco vc cala esse superego... ;)

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  12. Olá!

    É a primeira vez que entro nesse blog. Minha irmã compartilhou o post no Google Reader (sempre me trazendo coisas bacanas) e o texto me lembrou de uma música:
    http://www.youtube.com/watch?v=9DDdM66_nSI

    A canção, do músical "[title os show]", que ficou em cartaz na Broadway por pouco tempo, fala sobre os medos e inseguranças que temos.

    A peça era sobre dois amigos que decidem escrever um musical e acabam escrevendo um musical sobre dois caras escrevendo um musical. Uma metalinguagem divertida.

    Na música eles falam que sempre tem alguém ou alguma coisa tentando bloquear a nossa criatividade. O importante é enfrentar tudo isso.

    Adoro a parte em que diz "Por que se alguém no metrô me diz que eu não sou bom o bastante aquele alguém é um babaca maluco, mas se eu mesma digo isso é a voz da razão?"

    Foi uma música que, definitivamente, me ajudou a escrever o meu livro. E a enfrentar a vida e, claro, as inseguranças, com um pouco mais de humor.

    Parabéns pelo texto

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  13. Mesmo sem saber sobre o que é o livro, diria que tem um primeiro capítulo escrito aí em cima. Esse é seu jeito de dizer as coisas, se escrever assim, vai conseguir o que quer, se ficar sempre puta por não poder, se ficar sempre puta com esse editor em você e escrever pra ele, com essa raiva, estará aí seu livro(s)... Beijos, gostei muito desse texto.

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  14. Coincidências à parte, hoje estava discutindo justamente isso na minha terapia... A necessidade absurda de podar, só para não correr o risco de errar, só para ter um controle que na realidade nem existe... Texto lindo esse, mas denso... denso porque é a realidade, creio que não apenas a minha, ou a sua, mas de várias pessoas...

    É bom saber que não estamos "sozinhas" nas nossas angústias...

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  15. Já chorei e gargalhei com vários textos seus. Mando copiado pra uma amiga que trabalha embarcada num navio e não pode acessar sua página, ela também adora!

    Não sei bem como te ajudar, pois sofro do mesmo problema. Exijo tanto a perfeição em tudo na minha vida, me censuro o tempo todo. Curiosamente, sou muito mais sensata com os outros... vá entender. Ok, eu entendo, eu faço análise. rs Mas não sei como mudar. Se descobrir, por favor escreva um texto ensinando. :)

    Tô começando um teste com um mantra pela manhã e à noite antes de dormir. Digo "FODA-SE", e sigo em frente. Tem ajudado... rs

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  16. =O

    Meu Deus! Me identifiquei total..

    Não com a parte de ser escritora, claro.
    Mas com a parte de editar minha vida e tal e querer tudo perfeito (especialmente em relação aos relacionamentos, que é o que mais me identifico com o que você escreve). Só digo (ou escrevo) uma coisa que tem funcionado: aceite as coisas como elas vêm. Podem aparecer umas porcarias (hehe) no começo, se livre delas que aparecem as boas. A questão é não ser uma editora tão exigente a ponto de não reconhecê-las..

    Parabéns!

    Beijo

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  17. Esta doeu "Adorável Psicótica"!

    Eu respondo à tua pergunta "Quem caralhos eu penso que sou?" com outra pergunta:
    Poderias ser alguém além de ti?

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  18. Minha nova psicose: esperar o livro da psicótica mor.

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  19. me lembrou regina spektor:
    And by protecting my heart truly
    I've got lost
    In the sounds I hear in my mind

    bjs!

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  20. E tudo o que dizem pra te levantar e mudar de pensamento vc já sabe, só não sabe pô-los em prática ou algo assim?
    Acredito que sim, né? Damn god, comigo também... como isso cansa. Então vamos deitar e esperar por amanhã.

    :~~

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  21. Poti,
    nesse momento me identifico totalmente com seu editor's block, mas, no meu caso, edição de montagem. Venho pensando essa semana: quem eu penso que sou pra achar que posso bancar isso? Você me descreveu aí nesse post (e mais um bilhão de pessoas, a julgar pelos comentários). Espero que você tenha conseguido colocar essa crise em perspectiva e perceber que você escreve bem pra caralho!
    Só me resta torcer pra algum dia eu chegar a essa conclusão quanto a mim mesma!
    Beijos

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  22. Todos tem um editor interno. Eu tenho um e às vezes o acho um pé no saco,chatênho pacas,que quer sempre ser racional e prático quando eu sou sentimentamente melosa e mulherzinha.

    Esse seu editor que fica buscando a perfeição,tudo bem. Adoro! Faz de você essa pessoa neurotica semi-histérica,um charme. Mas não deixa é o editor desse teu livro te regular,não. Te corrigindo? Alterando sua obra? Ele faz parte da autoria,é?hehe. Escreva o que você está afim de escrever e pronto!Repetindo palavras? Pode repetir.Me poupe!

    Você não assassina a gramática normativa brasileira,esceve com bom humor,inteligencia,criativade e originalidade,você é muito boa,viu! Muito mesmo!

    Então,mande esse seu editor procurar outra escritorazinha amadora pra ele regular,outra pra ele circular os textos,fazer setas,jogo da velha,coração,sei lá...o que ele tiver afim.

    Liberdade de expressão pra você. ;*
    Quer um livro? Publica o que você escreve por aqui. Venderia como água em passeio no meio dia nas dunas de Genipabu.

    E eu vou querer logo 3! :P

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  23. sensacional..sesnsacional, amei!Isso tem a ver com a terapia? hahahahhaha...já teve tempo que eu, ou escrevia ou fazia terapia. Mas é mais uma mania minha mesmo. Não acredite nisso!!! De qualquer modo o primeiro capítulo é um tremendo saco! Mas, com certeza vc vai achar o caminho e resto virá, por este post, acho que isso já está acontecendo!!! Escreve qualquer coisa, qualquer coisa também é otimo, se solta, beijos de fã!!!

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  24. hehehehe muito bom!
    Voto confirmado tbm.

    bj

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  25. Poxa vida, que legal, vai escrever um livro! Parabens e inspirações para você. Força em sua caminhada.
    Bem, qualquer coisa eu estarei em meu blog (http://jefhcardoso.blogspot.com), onde falei sobre os dois dias que nos resta de vida.

    Abraço do Jefhcardoso.

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  26. "A pessoa de mente saudável é aquela que, sabedora da sua impotência contra as adversidades, não as camufla, e sim as enfrenta, assume a dor que sente, sofre e se reconstrói, e assim ganha experiência para novos embates, sentindo-se protegida apenas pela consciência que tem de si mesma e do que a cerca - o universo todo, incerto e mágico." Martha Medeiros

    http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/donna/19,206,2911402,Martha-Medeiros-Saude-mental.html

    Oie. Como não tenho dom de escrever te envio as palavras desta escritora maravilhosa Martha Medeiros.
    Ahh adoro teu blog.
    Beijo do sul

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  27. Ser editora de nós mesmas é difícil. Imagine um jornal onde a gente precise editar política, economia, moda, cultura, humor, tudo ao mesmo tempo? E ainda querer que tudo saia perfeito? Ainda assim, o jornal tem que sair todos os dias. E há quem leia e quem não leia, quem goste e quem não goste.
    Com livro é a mesma coisa. E depois, quem caralhos você pensa que é? Ora, você é sua editora. E a vantagem disso é a possibilidade de se fazer nova a cada dia. Boa sorte!

    P.S. Adorei seu blog. Passo por aqui de vez em sempre.

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  28. Esse formulário de comentários do blogspot não colabora com a blogueira que quer responder, mas vamos lá:

    Mari Araújo,
    Te entendo perfeitamente. Passo por isso o tempo todo, de ter que conciliar um humor mais sutil com o humor que eu preciso ter no meu trabalho oficial, fora do blog. Não é fácil, mas você tem que aprender a ativar o botãozinho que faz você se adaptar a outros estilos. Tem dias que meu botão empaca, mas é só ter paciência que a coisa anda. Boa sorte com o livro!

    Rodrigo Ken,
    Obrigada. Concordo com você, a graça muitas vezes está na imperfeição. Mas é a tal da ansiedade que estraga tudo.
    Marco Strauss,
    Concordo. O problema é que eu nunca gosto de nada. Sempre acabo comigo, antes que alguém o faça. E esse bloqueio é mesmo um puto.

    Lua Nova,
    Já andei pelo seu blog algumas vezes. Aliás, eu visito os blogs de todos vocês, mas sou uma leitora discreta. Vou deixar um comentário da próxima vez, pra você saber que eu estive lá.

    Jorge Fieza,
    Eba! Brigadão!

    Julia,
    Hahaha, sim senhora, senhora. Mas, ó, o livro não tem nada a ver com o blog. Assim que puder, conto tudo pra vocês!

    Bia,
    Quem descobrir primeiro qual é a solução conta pra outra, combinado?

    Flora,
    Ficou com medo, né? Vai que eu fico tão autoconfiante, que passo a ser chata?

    Silvia
    Brigada!

    Anônimo,
    Eu sei quem você é, nem me engana com esse “anônimo”. Tomara mesmo que as sessões de análise dêem certo. Se não funcionarem, eu tento as sessões de descarrego mesmo.

    Lais Cattassini,
    Obrigada! Adorei a música! Adoro espetáculos e filmes metalinguísticos. Qual é o seu livro?

    Rafael,
    Não, nem tenho um primeiro capítulo aqui em cima. Mas obrigada!

    Cá,
    Verdade. Uma das melhores coisas desse blog foi a descoberta de que não estou sozinha nas minhas angústias.

    Nanda Castelões,
    Exijo mais de mim mesma do que dos outros, sem dúvida. Mas não sou sensata com ninguém, rsrs. Ou é do meu jeito ou de nenhum jeito. E não se fala mais nisso. (Exceto na análise, quinta-feira.) Se eu descobrir como mudar, te conto sim, pode deixar!

    Flávia,
    Depois que você recebe um número grande de porcarias, acaba aceitando a primeira coisa mais ou menos que aparece. Por isso meus padrões são sempre altos, para que eu não corra o risco de me decepcionar. (Ai, ai. Análise na quinta...)

    Valter Sousa,
    Não, não poderia ser nada além de mim. E pensar nisso tira um peso enorme dos ombros. Obrigada.

    Liane,
    Pode deixar que eu aviso do livro!

    Márcia Bainha,
    Adoro a Regina Spektor! Essa música é muito bonitinha. Já viu o clipe? Mas cadê o meu cara bonitinho jogando tinta em mim? Cadê?

    Lucy,
    Pensar nessas coisas é muito exaustivo. Tô tomando ginseng no café e ando mais disposta, rsrsrs.

    Vivi,
    Brigada!

    Larissa,
    Não, não consegui colocar em perspectiva não. Mas estou menos bloqueada. Não tem como mudar da noite pro dia, mas é como o Valter falou lá em cima: você não pode ser alguém além de você mesma. E isso inclui todas as suas qualidades e suas limitações.

    Maya,
    Nossa, super obrigada! Vou encaminhar seu comentário pra ele... (Noot!) Mas vou te contratar como minha advogada, rs. Eu morei em Natal por 8 anos. Tenho boas lembranças daí.

    Cris Chevriet,
    Detesto chamar as pessoas de “fofas”, mas você não me deixa alternativa. Seu comentário foi muito fofo. Brigada!

    Naahs,
    Eba! Brigada!

    Jefh Cardoso,
    Brigada. Dou mais detalhes sobre o livro assim que puder.

    Cris,
    Eu li esse texto da Martha. Ela é maravilhosa! Brigadão.

    Tangerine,
    Pois, é. Haja material pra editar. Adorei a metáfora com o jornal, muito boa


    -------------------------------
    Beijãozão pra vocês todos,
    Natalia.

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  29. Leio o seu blog regularmente...e hj me identiufiquei muitíssimo com o seu blog!

    A única coisa que posso te dizer nesse momento: "Você é GENIAL!!"

    Bjus

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  30. Não vou ser mais uma dizendo o quanto (100%) me identifiquei com seu post. Espero que você não se identifique com o que vou dizer agora: o mais foda é constatar tudo isso, por causa de anos de terapia e, ainda assim, não conseguir mudar. Daqui, são só insights, elaborações, vontades de matar a mãe, desejos de esganar o pai, e textos, muitos.
    Boa sorte!
    Beijo

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  31. Adorei o blog!
    Posso publicar esse texto no meu? Minhas psicoses são mutações das suas rs

    Beijos=)

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  32. quanto ao livro, posso estar atrasada, de repente até já saiu, mas se aprendi algumas coisas depois escrever a vida toda:

    1- a gente não escreve a história, a história se escreve sozinha. as ideias estão aí, sobrevoando as cabeças, esperando uma chance de fazer um download, sabe, passar através da gente, nascer pro mundo. cabe se tornar um canal melhor, aí a história escolhe a gente... e se a gente perde o rumo, de onde veio, pra onde vai, como fulano ficou sabendo desse fato, basta perguntar, a resposta sempre vem.

    2- escreve melhor quem escreve sobre aquilo que conhece. e muitas vezes a história quer que a gente estude, pesquise, afinal ela quer ser bem escrita.

    3- o editor pode ser um aliado pra alertar contra as armadilhas que esperam um escrivinhador, como a maldição da Mary Sue, por exemplo (http://en.wikipedia.org/wiki/Mary_Sue). pode ajudar mostrando se todas as pontas têm nós. mas se ele começa a mudar muito, é só mandar ele escrever seu próprio livro, né?

    4- escrever pede uma entrega, uma liberdade, um abandono, um salto. não há como ter medo. só assim o que se escreve é verdade. é o único jeito de passar essa verdade pra quem lê ou escuta a música. tem muito fake por aí, livro fake, música fake, a gente corre o risco de perder a percepção. mas quando a gente lê a verdade, vive um momento "uau", uma espécie de epifania, e nunca mais esquece, aquilo passa a fazer parte de quem se é.

    quanto à vida, fui escritora, roteirista, editora, atriz, diretora, produtora, distribuidora, e crítica da minha própria história. isso só fez tudo simplesmente parar, e me jogou no divã de um analista. mas aprendi e continuo aprendendo a escrever minha história como ela merece ser escrita.

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