natalia

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Guia de como parar de gostar de alguém


1 - Primeiro conheça alguém. Não sei exatamente onde - se alguém souber, por favor, me avise. O importante é achar essa pessoa. O resto acontece praticamente sozinho.
2 - Comece a gostar de alguém.
3 - Não faça mais nada. Apenas espere alguém te magoar - acredite, é só uma questão de tempo.
4 - Fique triste com alguém.
5 - Fique puta por estar triste.
6 - Lembre-se de alguém de quem você costumava gostar, antes de gostar de alguém.
7 - Ligue para alguém.
8 - Lembre-se de como alguém também já te magoou e esqueça a ideia toda.
9 - Não faça mais nada outra vez. Não fique triste, nem puta, nem coisa nenhuma. Apenas espere até não haver mais ninguém;
10 - Então conheça alguém.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Here Comes The Sun


Estava eu na praia, particularmente irritada por causa das nuvens de chuva que resolveram estacionar justo em cima do sol. Estava sozinha - se bem que, munida de um livro e de um mp3 player, ninguém está sozinha.
Pouco antes de virar a primeira página, reparei no cara bonitinho que me olhava a uma distância não exatamente grande. Ele também estava com seu livro e seu mp3 player, o que tornava a situação ao mesmo tempo engraçadinha e constrangedora.
Decidi voltar à leitura, quando uma abelha alcoólatra viciada em protetor solar veio dar uma de bully pra cima de mim. O resultado foi uma cena ridícula, uma espécie de dança do robô misturada com Matrix que, por alguma razão, foi atraente o bastante para fazer o cara vir ao meu socorro.
"Qual é o seu nome?", ele perguntou, logo depois de espantar a abelha.
Comecei a pensar em uma série de nomes plausíveis para dizer no lugar do meu verdadeiro. Não sei exatamente por que, mas me pareceu a coisa certa a se fazer.
"S-Soraia", respondi.
"Sério? Você demorou pelo menos uns dez segundos pra dizer Soraia e ainda gaguejou na hora.”
"Não. Não gaguejei não. Esse é meu nome."
"S-Soraia?"
"Sim", insisti, enquanto ele sorria de um jeito que eu não sabia se me irritava ou se me atraía.
"Então soletra."
Revirei os olhos em sinal de protesto.
"S-O-S-S-O-R-A-I-A", soletrei.
"Sossoraia?", perguntou, confirmando. "É prático porque quando alguém pergunta quem é você, é só responder: Sô-Soraia."
Ok, eu teria rido nessa hora. Mas me segurei, só de implicância.
"Bom, pelo visto o sol não vai sair mais hoje, então eu vou indo", eu disse, juntando minhas coisas.
"Você não quer me dar seu telefone?"
"Não."
"Não?", perguntou, surpreso com a minha franqueza.
"Não."
"Por quê, você tem namorado?"
Nessa hora eu tive uma espécie de síncope e não me recordo muito bem o que disse. Mas deve ter sido algo parecido com:
"Se eu tenho... Ha, essa é boa", comecei. "Deixa eu te falar como é que vai ser. Primeiro você vai me chamar pra sair, vai dizer que gosta de mim e depois que gosta muito de mim. E aí eu vou gostar de você. E depois gostar muito de você. E é nessa hora em que tudo vai começar a ficar confuso e difícil e frustrante e eu não vou ter outra escolha senão ir embora. E quando eu for, você vai fechar os olhos por dois segundos e ao abrir será como se eu nunca tivesse existido. Pra você. Porque eu vou continuar pensando nisso até aparecer outro cara bonitinho e irritante que vai perguntar meu nome e me chamar pra sair. E é por isso que não eu não vou te dar meu telefone", encerrei, recuperando o fôlego.
"Uau", ele soltou. "Você podia só ter dito que tinha namorado. Sério, eu teria aceitado essa resposta."
"Lamento, não tenho."
"Você é o quê, vidente?"
"Quase. Sou roteirista."
"Então você já elaborou o roteiro todo, já sabe tudo o que vai acontecer", constatou, enquanto eu fazia que sim. "Nesse caso, o que vai acontecer comigo depois que você for embora?"
"Você vai sair por aí pegando garotas bem menos interessantes, até que uma delas, provavelmente meio fanha e gorda, chamada Deise, vai ficar grávida e vocês vão acabar se casando. Mas você vai trair a Deise com a Cibele, que também vai ficar grávida e aí você vai passar o resto da vida trabalhando para pagar pensão pras duas, até um dia descobrir que os filhos nem eram seus."
"Caralho. Minha vida vai ficar uma merda depois que você for embora."
"Pois é."
"Então é melhor não deixar você ir nunca."
E, com essa, os dois ficaram em silêncio.
"Me dá seu telefone."
Olhei para ele e pensei, que se dane.
“Anota aí.”
"Pensando bem, é melhor não", reconsiderou. "Vai que eu sou um psicopata."
"Que tipo de psicopata avisa que é um psicopata?"
"Sei lá, o tipo sincero."
Dessa vez eu ri.
E quando eu menos esperava, as nuvens de chuva estavam a ponto de sair da frente do sol. Talvez, no fim das contas, aquele domingo nublado ainda fosse dar praia.

video
NINA SIMONE, Here Comes The Sun.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quero Fotos dos Anos 70


Dia desses eu estava conversando com uns amigos sobre a última vez em que qualquer um de nós tinha visto uma fotografia impressa. Ninguém se lembrava ao certo, mas a conclusão foi unânime: fazia muito tempo.
Para mim, as fotos digitais são como os relacionamentos afetivos de hoje em dia. Prezam pela quantidade. Uma coleção enorme de momentos quase sempre bastante superficiais e transitórios.
Já não impõe mais respeito, nenhum dos dois. Você tira quantas fotos quiser, não precisa mais se preocupar com o limite. E, por isso mesmo, não é comum ver alguém pensando muito antes de sair por aí clicando. Ou ficando com pessoas.
Com tanta liberdade, em ambas as experiências, acaba sendo difícil a tarefa de selecionar os bons resultados - que, vão me desculpar, são raríssimos.
Na minha opinião, a única forma da fotografia realmente existir é quando está gravada na superfície de um papel. Antes disso ela é só um arquivo dentro de uma pasta no drive C. Não é de verdade. Não rasga, não amassa, não mancha. Não fica marcada pelo plástico do álbum, pelo vidro do porta-retrato, pelo calor, pela umidade. Não é nada além de uma porção de dígitos armazenados em uma máquina.
Quero fotos dos anos setenta. Quero lembranças de uma época em que cada foto importava. E que as pessoas nas fotos importavam mais ainda.
Quero fotos daquelas bem avermelhadas, desbotadas, gastas. Fotos de viagens incríveis. Fotos de estrada. Fotos que só têm graça para quem esteve lá. Quero olhar para elas daqui a trinta, quarenta anos e lembrar que naquele momento eu fui feliz. Com alguém.
Não faço mais questão de ter centenas de fotos aleatórias espalhadas pela pasta "Minhas Imagens". Quero as que durem, mesmo que apagadas pelo tempo. Prefiro essas aos arquivos esquecidos no HD do computador.
Quero fotos que tenham significado. Fotos de valor inestimável, a prova de vírus e cavalos de tróia. Fotos que, infelizmente, já não fazem parte da cultura da minha geração.
Mas eu pouco me importo. Não quero saber da insustentável leveza dos arquivos e das experiências zipadas. Gosto mesmo é de um bom vintage.



"QUERO FOTOS DOS ANOS 70", o vídeo. Obrigada a todos que colaboraram, especialmente à leitora Cláudia Oliveira, que me indicou o fantástico My Parents Were Awesome, de onde eu deliberadamente surrupiei várias fotografias.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Da Série: Rapidinhas da Psicótica


Ontem, na fila de uma lanchonete, ouvi um homem adulto cantarolar a seguinte pérola para uma criança:
"Vou comer açaí-í-í". Virei para trás, para ver de onde tinha saído aquela frase que soava como o refrão de uma música da Xuxa. "E você?", ele perguntou para o menininho em seu colo. "Vai querer suquinho de que frutinha? Vai querer de moranguinho? De laranjinha?", e seguiu enumerando sabores no diminutivo, como se tivesse algum tipo de problema mental.
Na boa. Se esse cara falasse desse jeito infantilóide com um filho meu, eu ia matar. Não, não. Eu ia sodomizar e depois matar. Se bem que ele ia acabar gostando da primeira parte. Aposto que se ele pudesse fazer um último pedido antes de morrer, seria: "Por favor, me sodomize." Então, melhor só matar mesmo. Ou aparecer com um homem lindo, alto e forte, e dizer: "Oi, esse aqui é o Raul e ele NÃO está aqui para te sodomizar." Assim o cara ia morrer mais triste.
Enfim, isso tudo foi só pra dizer que existe algo no mundo que me irrita mais do que crianças. E são adultos que falam como crianças. Não há nada mais perturbador e equivocado do que baby talk. Especialmente quando o "bebê" que está na cama tem mais de 21...

E continuem mandando fotos de casais dos anos 70 para adoravelpsicose@gmail.com! Tô adorando receber!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Quero Fotos dos Anos 70 (parte 1 - A Busca)


Bem, amigos da Psicose,

Para o próximo post, conto com a ajuda de vocês.

Preciso de fotos de casais dos anos 70. Podem ser seus pais, podem ser vocês, podem ser amigos, amigos de amigos, vizinhos, parentes distantes, pessoas desconhecidas cuja fotografia vocês encontraram em uma caixinha escondida no rodapé do banheiro... Enfim, o importante é que o casal da foto pareça feliz.

Podem mandar quantas fotos vocês quiserem para o adoravelpsicose@gmail.com, que eu vou ficar aguardando.

Se ninguém enviar nada, eu ataco todo mundo no chuveiro. E não do jeito divertido.

Beijos da Psicótica.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Da Série: Rapidinhas da Psicótica


Estava numa conversa animada com uma amiga e, por alguma razão que começa com cer e termina com muita, muita veja, resolvemos falar sobre homens. Perguntei se ela sabia onde se achava gente interessante na cidade, ao que ela respondeu, num suspiro:
"Ai, amiga, os homens são de Marte, né?"
Fiquei em silêncio por alguns instantes.
"Marte?", repeti, indignada. "Que porra é essa de Marte? Eu só queria que você me indicasse um bar, eu hein...", completei, levantando-me para ir ao banheiro.
De onde tiraram essa ideia de que os homens são de Marte? E ainda vendem isso como auto-ajuda! Só não sei que ajuda é essa, sair dizendo para uma porrada de mulheres desesperadas que a única chance que elas têm de achar um homem é indo para outro planeta. O que, aliás, dá um novo sentido ao conceito de "corrida espacial".
Se os homens realmente forem de Marte, eu vou começar a pegar mulher. Sério. Morro de medo de ET...
 
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