natalia

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quero Fotos dos Anos 70


Dia desses eu estava conversando com uns amigos sobre a última vez em que qualquer um de nós tinha visto uma fotografia impressa. Ninguém se lembrava ao certo, mas a conclusão foi unânime: fazia muito tempo.
Para mim, as fotos digitais são como os relacionamentos afetivos de hoje em dia. Prezam pela quantidade. Uma coleção enorme de momentos quase sempre bastante superficiais e transitórios.
Já não impõe mais respeito, nenhum dos dois. Você tira quantas fotos quiser, não precisa mais se preocupar com o limite. E, por isso mesmo, não é comum ver alguém pensando muito antes de sair por aí clicando. Ou ficando com pessoas.
Com tanta liberdade, em ambas as experiências, acaba sendo difícil a tarefa de selecionar os bons resultados - que, vão me desculpar, são raríssimos.
Na minha opinião, a única forma da fotografia realmente existir é quando está gravada na superfície de um papel. Antes disso ela é só um arquivo dentro de uma pasta no drive C. Não é de verdade. Não rasga, não amassa, não mancha. Não fica marcada pelo plástico do álbum, pelo vidro do porta-retrato, pelo calor, pela umidade. Não é nada além de uma porção de dígitos armazenados em uma máquina.
Quero fotos dos anos setenta. Quero lembranças de uma época em que cada foto importava. E que as pessoas nas fotos importavam mais ainda.
Quero fotos daquelas bem avermelhadas, desbotadas, gastas. Fotos de viagens incríveis. Fotos de estrada. Fotos que só têm graça para quem esteve lá. Quero olhar para elas daqui a trinta, quarenta anos e lembrar que naquele momento eu fui feliz. Com alguém.
Não faço mais questão de ter centenas de fotos aleatórias espalhadas pela pasta "Minhas Imagens". Quero as que durem, mesmo que apagadas pelo tempo. Prefiro essas aos arquivos esquecidos no HD do computador.
Quero fotos que tenham significado. Fotos de valor inestimável, a prova de vírus e cavalos de tróia. Fotos que, infelizmente, já não fazem parte da cultura da minha geração.
Mas eu pouco me importo. Não quero saber da insustentável leveza dos arquivos e das experiências zipadas. Gosto mesmo é de um bom vintage.



"QUERO FOTOS DOS ANOS 70", o vídeo. Obrigada a todos que colaboraram, especialmente à leitora Cláudia Oliveira, que me indicou o fantástico My Parents Were Awesome, de onde eu deliberadamente surrupiei várias fotografias.

33 comentários:

  1. Bom, depois de ler o teu texto começo a achar que sou uma das poucas pessoas que imprime as fotos digitais e, ainda por cima, tem o maior cuidado de fazer albuns, além de se dar ao trabalho de colocar legendas identificando o lugar e o ano em que foram tiradas.
    É, porque recordação não tem preço !!!!

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  2. Ah, que bonito, adorei o vídeo!
    Eu também tenho o costume de mandar revelar as fotos digitais que mais gosto e coloco em murais no quarto, porta retratos...

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  3. NOSSA! QUE LINDOOO!

    Obrigado por colocar um sabor de romantismo no meu dia, estava precisando.

    Beijão gata!

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  4. Acho que isso explica por que não tiro de fotos de nada. Absolutamente nada.

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  5. adorei tudooo! principalmente ver meus pais por aki! bjão

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  6. DEMAIS, DEMAIS, DEMAIS!!!! Me arrependi de não ter mandado alguma. Bjs

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  7. Ficou lindo mesmo... essa música tem uma versão do magnetic fields!
    Quanto às fotos... vou passar a imprimir as minhas... ou levo uma camera de filme no Sábado, hehe

    Adorei o texto.

    Me irrita também que como as fotos não têm limite as pessoas passam a noite/viagem/etc. inteira flash flash flash e se preocupam pouco em viver o momento.

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  8. A tecnologia avança demais. Estou com medo... estamos perdendo muiiiita coisa na vida com essa tecnologia. (ao menos eu acho isso).
    As pessoas não compram mais CDs, nem livros... Os e-books chegaram com tudo mesmo. Eu acho bom ter uma carta na manga. Mas daqui a pouco não vamos ter mais noites de autógrafos, só se eu deixar a Natalia quando lançar no o livro dela assinar no notebook devido o livro online, =/. Perde o sabor, hein?
    Òtimo texto.
    Parabéns!

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  9. Ah, que lindo! Fui até mencionada. Ó só. :')

    E concordo incrivelmente com esse texto. A gente tá perdendo alguma coisa, cara. Alguma coisa importante.

    Esses dias li um post que falava sobre "promiscuidade sentimental", mas num sentido bem amplo, sabe. É incrível como ficou fácil fazer amigos e amores; mais impressionante ainda é a facilidade com a qual nos livramos deles. Engraçado, né?

    Sei lá. O mundo só não tá mais perdido porque o Google Maps existe.

    Meh.

    Beijo e obrigada pela menção! :D

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  10. Nossa... não tem nem o que dizer...

    Menina, eu descobri seu blog por indicação e adorei, mas depois desse post, virei sua fã mesmo... rs.

    Que lindo... nossa... o vídeo, o texto... Acho que também estou sentindo falta dessas "fotos" reais. As coisas na nossa vida ultimamente tem sido tudo tão rápido, tão passageiro, tão superficial. A rapidez tem nos estragado, prezamos pela quantidade ao invés de qualidade, nos esquecemos facilmente das pessoas, assim como das fotos digitais...

    Com certeza terei muita coisa para pensar hoje... rs. Obrigada pelo texto, realmente me emocionou!

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  11. Concordo com você, Natalia. Estava pensando nisso esses dias, quando estava vendo as fotos da minha filha. Vou selecionar as mais bonitas e especiais e colocar num álbum para ela. Bjs

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  12. Peraí que vou ali imprimir umas fotos...

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  13. a digitalização da vida e das relações.e quanta superficialidade nisso tudo.é bom sentir o cheiro de fotos antigas.eu coloco elas com as minhas caixas q guardam tudo q eu preciso olhar às vezes,pra lembrar de mim mesma. =)

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  14. ptz! e como é irritante aquelas criaturas com a p$%*& da máquina/celular batendo foto na praia/balada/restaurante, na rua, no shopping, enfim, em todo canto... me dá até uma fobia! :P kkkkkk

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  15. li um texto uma vez criticando essas pessoas que passam a viagem se preocupando mais em tirar fotos pra mostrar às outras pessoas do que em aproveitar as próprias férias... dever ser algum tipo de psicose... uops! :p

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  16. Meu, vi um post muuuito semelhante a esse num desses blogzinhos de Moda It-famosos mimimi, aposto que te copiaram na caruda, o post é de 2 dias depois do seu! Mesmo tema, a criatura postou fotos e tals... mas enfim, adorei o SEU post, o site que vc colocou no final é incrível!!!

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  17. dizem que a fotografia capta a alma da pessoa, sendo digital então a gente não tem mesmo saída, nem tiro, não gosto de estar em fotos...é meu lado psi, hahahahaha. A foto de papel dá uma sensação reconfortante,porque a alma ficou por ali né? Os albuns aqui em casa ficam na estante bem perto da mão, no meio das festas, todo mundo já calibrado,o bom é ver os layouts, e mullets dos passado, muita nostalgia e risada com certeza!!!

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  18. Este comentário foi removido pelo autor.

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  19. Herdei uma caixinha com fotos da minha avó.. Amigos, gente que eu nem conheço e tal..
    Não sei se foi por isso, mas chorei olhando o vídeo..
    E uma vontade louca de ver a caixa de fotos da casa da minha mãe..
    Gracias pelo que me fez sentir com esse post!

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  20. ÔPA! Sinto um cheirinho bom de amadurecimento de texto neste espaço?... O que já era bom está melhor ainda...

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  21. Saudade desse tempo em que eu nem tinha nascido.

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  22. Fica o mesmo para textos? Só valem mesmo aqueles que estão no papel? ;-)

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  23. Adorei!
    Mas eu revelo as fotos digitais, coloco em álbuns e escrevo as legendas... é tão bom!

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  24. Ficou mto lindo mesmo...
    Mto bom sentir saudades desse tempo em que o tempo passava mais devagar, a vida tinha mais emoção....
    Dá pra sentir saudades do que não se viveu?
    rs

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  25. Este comentário foi removido pelo autor.

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  26. Cara, as fotos de antigamente eram pequenos eventos. Tinha um ritual que envolvia pose, clima, figurino e o escambau. Cada foto tinha que ser maneira, porque o filme tinha apenas 36 chances - no máximo. Hoje em dia, as câmeras digitais meio que acabaram com essa aura. Rola uma foto e se não ficar legal é só apagar e bater outra. E não há mais o comprometimento em revelar. Eu ainda mantenho o interesse em revelar minhas fotos preferidas. Fica mais palpável. Sou retrô mesmo.

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  27. Gostaria de parabenizar pelo belo trabalho que postou aqui!Pode parecer nostalgico, mas o que é que tem? vivemos de lembranças boas ou ruins, somos frutos de todo que passamos nesta vida!
    relembrar é viver!

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  28. ô Natalia, dessa vez você me pegou mesmo. lindo, tô aqui me debulhando, mulé. sempre achei que a tecnologia não vai deixar vestígios da nossa civilização. a Esfinge está lá até hoje. as pirâmides, os hieroglifos. o Partenon, Stonehenge, a Muralha de Adriano, Agkhor Vah, sei lá, a história gravada em pedra e mosaicos. agora, basta alguém puxar o plug do mundo e metade do século XX e todo o século XXI desaparecem. como aconteceu com a Atlântida, dizem. de que adiantaria desenterrar um i-pod? pra muitas coisas ainda sou analógica. sem neurose.

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  29. Bem, olha eu aqui anônima ainda não sei mexer em blogs direito, que vergonha... Admiro muito a maneira como escreve Natalia, e mais ainda a maneira como se expressa: não tem mimimi ou falsidade, você é real e parece não ter medo de mostrar isso. Esse post, um dos seus melhores com certeza, me lembram porque buscamos viver um dia mais feliz do que o outro: daqui a quarenta, vinte, dez anos, ou mesmo dez minutos, o que nos ajudará a seguir adiante serão as lembranças dos nossos melhores momentos. Nem por isso devemos deixar que a fotografia, a escrita, a música percam aquilo que as tornam únicas... Provavelmente você não irá ver esse comentário, sei disso, mas a simples ideia de que talvez você leia (mesmo que seja pra concluir: "o que essa retardada está fazendo por aqui? rs)já me deixa feliz, tipo, muuuuito feliz. Beijos, espero que você tenha cada vez mais e mais sucesso e consiga tudo aquilo que você julga faltar na sua vida. E sempre se lembre do que seu blog me ensinou: nós psicóticas nunca estamos sozinhas =) Ana C.S.

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  30. P.S. Apesar de ter revisado o texto inúmeras vezes, sei que existem alguns erros nele. É isso o que acontece comigo ao publicar um mero comentário que nunca será lido em um blog de uma escritora fantástica, sim, fico nervosa dela me julgar como uma tipica aluna que matava aula para ir no shopping ou coisa pior... :$

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