natalia

terça-feira, 14 de abril de 2009

Corta o Rabo Dela, Pisa em Cima, Bate Nela (parte 1)


Estava na fila do cinema, sozinha. Não que eu tenha problemas em ir ao cinema sozinha (tá, mentira, eu tenho), só acho detestável estar sozinha na fila. É terrível ser mulher nessas horas. Nessas e quando você precisa fazer xixi num local ermo. Porque se você fosse homem, mijaria num canto qualquer e pronto, resolvido. E se eu fosse um homem sozinho na fila, as menininhas olhariam pra mim e me achariam misterioso. Sendo mulher, elas me olham e sentem pena.
Mas, enfim, êêê, dane-se! Danem-se todos os casaizinhos medíocres da fila do cinema. Danem-se todas as Danis e as Lus com seus "môôôs" e "beeens". Eca, prefiro ficar sozinha. (Mentira.) Eu estava ali por opção. (Mentira.) Não é como se eu não tivesse nada melhor pra fazer! (Hahaha, muita mentira!)
- Natalia? - chamou uma voz masculina.
Sim, Deus! Eu vim ao cinema sozinha!
Então eu olhei para o lado e o vi. Não era exatamente Deus, mas era praticamente uma aparição. O bonitinho por quem eu tinha uma queda no colégio. Um daqueles sujeitos intelectuaizinhos, de camisa xadrez e óculos, que vagavam pelos cantos do pátio lendo "O Manifesto Comunista". Um clichê ambulante, de tênis All Star preto.
- Você está tão diferente - ele disse. (Mentira. O que ele quis dizer foi: "Você era tão baranga e agora está tão bonitinha".)
- Você não mudou nada - rebati, dando uma boa olhada.
- Tá sozinha?
- Acho que sim. Sim. E você? (Por favor, não apareça agora uma loira peituda chamada Rebecca.)
- É, eu tava de bobeira em casa e resolvi ver alguma coisa.
- O que você vai ver? - perguntei aliviada.
- "Che" - clichezão. - E você?
- Também! (Mentira deslavada. Eu ia ver "Delírios de Consumo de Becky Bloom".)
- Ah, é?
- É!! Por quê?? Alguém disse que eu não ia?? - perguntei, olhando pros lados.
- Não... - respondeu, estranhando minha reação. - Que coincidência!
Forcei um sorriso e comecei a mentalizar: sessão esgotada, sessão esgotada, sessão esgotada...
- Ih, a sessão tá esgotada - ele avisou, ao olhar para o painel.
Graças a Deus!
- Ah, que pena...
- Tô indo encontrar uns amigos num bar, quer vir? - propôs.
- Pode ser. (Mentira. Eu não queria.)
Provavelmente, ele seria chatinho e sem graça. Riria de um jeito estranho ou acumularia uma babinha escrota nos cantos da boca. De repente, eu notaria que suas sobrancelhas eram muito juntas ou seus dentes eram muito separados (ou os dois ao mesmo tempo, numa combinação intrigante e hipnótica).
- Eu iria, mas tenho que trabalhar cedo amanhã - respondi.
(Mentira, claro.)
Nos despedimos e ele se foi, por fim.

(Continua...)

4 comentários:

  1. Bem, se quiser pegar um cineminha, pega um Azul e vem. Saudades. Beijos.

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  2. "Puxa o rabo dele! *pra cima* Faz ele esticar! *pra baixo* Puxa o rabo dele, mas não deixa arrebentar"
    - Trem da Alegria.

    ah, outra parte maravilhosa da música:
    "Era um macaco maluco, não respeitava ninguém"... onde já se viu?! Alguém passa um "Alô, chics!" pra ele.

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  3. Sendo mulher, elas me olham e sentem pena.
    Mas, enfim, êêê, dane-se!"

    AHUAHAU!!!

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  4. HUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHA!
    Maluco mó manezão, mó otário HAUHAUHAU
    HOHOHO que buchaaaaaaaaaaaaaaaaaa HUHUHUHU

    Depois toma porrada e não sabe por que comunista de merdaasdhaddahdahadahdahad HUAHUA

    (Continua...)

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