natalia

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

40 Graus


Então eu peguei amigdalite (ou amidalite - porque, nesse ponto, o G não faz a menor diferença). O termômetro marcava uns trinta e nove ponto quatro e eu já tinha desistido de lutar quando o celular me despertou do meu transe.
- E aí, garganta purulenta? - saudou-me Patricia, minha prima, sempre muito delicada.
- Eu não vou conseguir, você vai ter que me sacrificar.
- Ah, é? Você não achou ruim quando tava pegando.
- Pegando quem?
(pequena pausa)
- Amigdalite...
- Eu quero ser congelada em nitrogênio líquido até acharem a cura disso.
- Você sabe que já acharam tem algum tempo, né?
- É, mas ela tá looonge. Eu vou ter que ligar pra farmácia e pedir. Eu vou ter que levantar da cama, ligar o computador e descobrir o telefone da farmácia.
- Como assim, você não tem aqueles ímãs de geladeira com os números?
- Você quer que eu vá até a cozinha? No meu estado? Você não tem coração?
- Ok, eu descubro o número pra você.
- Era só isso que eu precisava ouvir.
(pausa longa)
- Bom, anota aí então...
- Lembra quando eu tinha cinco anos e tive aquela febre de quarenta graus? Eu comecei a ver os marinheirinhos do meu lençol marchando pelo quarto, mó doideira...
(pausa muito, muito curta)
- Isso foi semana passada, quando você estava chapada.
- Ah... Tem certeza? Eu poderia jurar que foi quando eu tinha cinco anos...
- Vai querer o número ou não?
- Não sei. Seria legal ver os marinheirinhos outra vez.
- Tá bom, eu ligo e peço pra você. Qual é o seu endereço mesmo?
- E o mais engraçado é que eles não tinham rosto. Tinham só uma bola amarela, sem olhos, sem boca, sem nada...
- Puta merda, eu mereço...
- E, mesmo assim, eles andavam em linha reta pela escrivaninha e se jogavam...
(silêncio sepulcral)
- Marinheirinhos espertos... - ela concluiu, meio psicótica.

video

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Psicose Reflexiva 2: O Enigma da Multiplicação dos Homens


Como diria Sarah Silverman: "Martin Luther King, eu também tive um sonho."
Estava numa boate, pedindo uma bebida, quando comecei a ser perseguida pelo Four Tops cantando Baby, I Need Your Lovin’.
Subi as escadas com pressa, julgando ter me livrado da situação. Mas não. Sonhos são como desenhos animados. Ou filmes óbvios de terror. O perseguidor sempre chega antes, não importa quem tenha saído na frente.
Decidi ignorá-los, mas foi aí que me dei conta de que todos na boate estavam cantando pra mim, batendo palminhas e dançando à moda anos 60:
”Baby, i need your lovin’
Got to have all your lovin’
Baby, i need your lovin’
Got to have all your lovin’”

Então, meu despertador tocou e eu me lembrei que não pegava ninguém há semanas. Eu nem sequer flertava com ninguém há semanas. De uma hora pra outra, eu tinha virado a Srta. Celofane. Porque branquela eu sempre fui, mas nunca tinha chegado a ser translúcida.
É que quando você começa a não pegar ninguém, um campo eletromagnético de repulsa vai se formando ao seu redor. É como se tivesse um aviso gigante na sua testa, em néon, dizendo: “Atenção! Periguete!”.
Ou talvez seja uma questão darwiniana, de seleção natural. Vai ver, quando você fica sem pegar ninguém, seus feromônios param de funcionar direito e você vira uma espécie de eunuco (tipo, "não usou, perdeu").
A questão é simples. Ninguém vai atrás de alguém que ninguém vai atrás pela mesma razão que você não pega o último canapé da bandeja do garçom. Porque se o canapé for uma droga, o problema não é seu.
Por outro lado, uma coisa é certa nessa vida. Deixa aparecer um, filhinha. Basta um. Aí a oferta começa a crescer em P.G., os rapazes brotam como gremlins, uma fartura louca.
Muitos já tentaram resolver esse que é um dos maiores mistérios da ciência pós-moderna. Mas quando o assunto é o enigma da multiplicação dos homens, a conclusão das pesquisadoras é sempre unânime: o Universo só pode estar de sacanagem...

video
CENAS gravadas pelo novo TiVo Um Sonho.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Boneca de Pano Deixa Suri Maluca


Durante entrevista exclusiva para o Fantástico, a apresentadora, repórter e mãe, Patrícia Poeta, deu para Tom Cruise, sem qualquer reserva... uma bonequinha de pano chumbrega confeccionada por uma ONG brasileira.
O agrado foi para Suri, fruto do romance entre Katie Holmes e Alf, o ETeimoso, um dos fundadores e líderes da Cientologia.
Seis anos antes, também durante uma entrevista, Cruise teria dado para a Poeta, grávida na época, uma miniatura do carro super ultra boladão futurista do filme Minority Report.
Mas é claro que a bonequinha da ONG também é ótima, Patrícia, mandou benzão... (Só não estranhe quando ninguém quiser participar de um amigo oculto com você.)
Em rede nacional, Cruise declarou: "Suri vai ficar louca com essa boneca!"
E não era para menos. Apesar de bem intencionada, a Poeta se descuidou e não percebeu que a tal ONG era na verdade um centro de macumba e que a bonequinha em questão era de vudu.
Segundo fontes seguras, Suri já mostra sinais de demência e descontrole, chegando inclusive a confundir um vestidinho Calvin Klein com um Ralph Lauren.
 
Designed by Thiago Gripp
Developed by Márcia Quintella
Photo by Biju Caldeira